Calendário astronômico da etnia desana é tema de palestra

Representação das constelações identificadas pelo grupo e os símbolos a elas associados (Ilustração: Diakara Desana)

Quando a constelação da Garça surge no céu, é sinal que um novo ano tem início para os Desana, etnia que habita a região do Alto Rio Negro. Seu aparecimento no céu está ligado ao mito que explica o nascimento deste grupo, assim como outras constelações ainda hoje marcam o momento de realizar determinados rituais, como caçar, plantar e colher. A relação dos Desana com o céu será abordada na palestra do Museu da Amazônia (Musa) desta quinta-feira (21/01). Os palestrantes são Diakara Desana, estudante da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e monitor do museu, e Germano Afonso, etnoastrônomo consultor do Musa.

“Falaremos sobre como, através da leitura do céu, os indígenas obtinham informações úteis para sobreviver”, especifica Germano. O etnoastronomo lembra que as constelações ajudam a entender a ecologia da floresta. Segundo ele, o aparecimento de determinadas estrelas permite, por exemplo, dizer que espécie de peixe será mais facilmente encontrada nos rios. “Assim sabemos a época de roçar ou plantar e a época da piracema”, completa Diakara.

O clima também é relacionado com as estrelas. Diakara conta que curtos períodos de calor durante a estação mais fria, chamados de “aña bohitari bohori”, podem ser previstos pela observação do céu. “Tudo isso quem passa é o velho, que lá pelas 6h ou 7h, senta e conta as histórias”, diz o monitor.

Serviço:

Palestra: O calendário astronômico da etnia Desana

Palestrantes: Diakara, monitor do Musa da etnia Desana, e Germano Afonso, etnoastrônomo consultor do Musa

Data: Quinta-feira, 21 de janeiro

Horário: 17h

Local: Avenida Constelação 16, Conjunto Morada do Sol, Aleixo


Fonte: Museu da Amazônia
Tecnologia do Blogger.