4.5.10

Fundo Global anuncia abertura de nova rodada de financiamento Ativistas vão propor projetos voltados às populações vulneráveis

FG

O Fundo Global contra a Aids, Tuberculose e Malária anunciou nesta segunda-feira, 3 de maio, que a partir do dia 20 deste mês irá receber, pela 10ª vez, propostas para o financiamento de projetos contra as três doenças.
Neste ano, além de apoiar os programas nacionais contra HIV e aids dos países de renda baixa e média, sobretudo, o Fundo irá destinar mais de 200 milhões de euros para aqueles que têm como foco enfrentar a epidemia nas populações mais vulneráveis, o que pode aumentar as chances brasileiras.
Nas duas últimas rodadas de financiamento (2008 e 2009), o Brasil aplicou, mas não obteve êxito devido ao "não fornecimento adequado da descrição das necessidades de capacitação das organizações não governamentais e da sociedade civil", segundo o Painel de Revisão Técnica do Fundo.

Com essas rejeições, representantes da sociedade civil sugerem que o Brasil apresente uma proposta baseada em populações específicas, como usuários de drogas ilícitas, homens que fazem sexo com homens e profissionais do sexo, por exemplo.

No relatório "Progressos Contra o HIV e Aids - 2008 e 2009", preparado pelo Ministério da Saúde para a Sessão Especial da Assembleia Geral das Nações Unidas (UNGASS, em inglês), há a citação de um estudo feito em 10 cidades com essas populações vulneráveis.

Segundo o documento, a pesquisa feita em Manaus, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Santos, Curitiba, Itajaí, Campo Grande e Brasília, também de 2008 a 2009, mostrou que a média de prevalência do HIV entre os usuários de drogas ilícitas destas cidades é de 5.9%; nos homens que fazem sexo com homens 12.6%; e nas profissionais do sexo de 4.9%.

Gabriela Leite, fundadora da ONG Davida, até já levou essa possibilidade para reuniões com representantes do Fundo na Tailândia e na Inglaterra.

Representando as profissionais do sexo, Leite disse que pretende criar uma parceria com a ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Travestis e Transgêneros) e com a Aborda (Associação Brasileira de Redutores e Redutoras de Danos) para apresentarem uma proposta conjunta ao Fundo.

"Na próxima reunião do MCP (Mecanismo de Coordenação de País, instância nacional de caráter consultivo e propositivo ao Fundo) já vamos mostrar uma carta de intenções sobre o caso", afirma Leite.

A coordenadora da Associação das Prostitutas da Bahia, Marilene Silva, apoia a iniciativa.

"Temos fatores que contribuem com a vulnerabilidade das prostitutas que vão desde violência até o consumo de álcool e outras drogas", comentou.

Já o coordenador do Centro de Educação Sexual (CEDUS) do Rio de Janeiro, Roberto Pereira, acredita que o Brasil ser um país de renda média alta dificultaria novamente o recebimento do fundo, entretanto, o combate da tuberculose, em especial nos presídios, carece de muito apoio.

10ª Rodada

O anúncio de abertura da 10ª rodada foi feito em comunicado de imprensa nesta segunda (3) pelo Fundo Global.

Países candidatos poderão apresentar propostas até 20 de Agosto de 2010.

Os financiamentos voltados para populações vulneráveis poderão atingir o valor de 12 milhões de euros para cada proposta. Cerca de 16 podem ser aprovadas e os resultados serão conhecidos em dezembro.

Criado em 2002, em Genebra, o Fundo Global é formado por representantes de países que compõem o G-8, os oito países mais poderosos do mundo: Rússia, Estados Unidos, Japão, Inglaterra, França, Itália, Canadá e Alemanha e integrantes da sociedade privada que captam recursos e os distribuem para projetos na áreas de malária, aids e tuberculose.

Um quarto do financiamento global da aids é feito pelo Fundo que já aprovou projetos contemplados em 140 países, movimentando recursos de US$ 15,6 bilhões.

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