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18.7.10

Cancêr é causa de amputações de pênis

Do Diário do Amazonas
18 de julho de 2010

FCECON ESTIMA QUE PELO MENOS CEM PÊNIS SEJAM
AMPUTADOS,ANUALMENTE,EM MANAUS, EM DECORRÊNCIA DA DOENÇA

O câncer é a causade 95% das amputações de pênis no Amazonas. O acompanhamento médico, diagnóstico precoce e higiene diária são ações que poderiam evitar que pelo menos 100 homens amputassem o órgão, anualmente, em Manaus, segundo dados da Fundação Centro de Oncologia do Amazonas (FCecon).

De acordo com o médico uro-oncologista Cristiano Paiva, os sintomas do câncer são fáceis de serem percebidos: perda de pigmentação ou manchas esbranquiçadas no pênis, feridas e caroços que não desapareceram, aparecimento de ínguas, inflamações de longo período com vermelhidão e coceira.Paiva ressalta que esses sintomas podem indicar que o câncer está em fase inicial, o que requer que o paciente procure imediatamente um médico.

Paiva disse também que há grande relação da doença com a fimose, quando é recomendável que o paciente faça a cirurgia de postectomia, conhecida como circuncisão. No procedimento cirúrgico, ocorre a retirada da pele do prepúcio que encobre a glande do pênis, geralmente sob anestesia local nos adultos em geral nas crianças. Nos últimos dois anos, 882 homens passaram por esse tipo de cirurgia no Amazonas, segundo dados do Ministério da Saúde.
As amputações são quase uma regra quando o câncer no pênis é diagnosticado já em estágio avançado. “No início da doença, é possível fazer a retirada do câncer, sem ter grandes danos, quando a doença atinge a parte inicial do membro, na pele, por exemplo”.


Médico uro-oncologista Cristiano Paiva afirma que os sintomas do câncer no
pênis podem ser facilmente percebidos pelos pacientes / Foto: Jair Araújo

A boa notícia, ressaltou o médico, é que quando o paciente precisa retirar todo o pênis, ele pode fazer uma plástica total do membro, técnica já desenvolvida no Amazonas. “Usamos o próprio tecido da pessoa”, disse.

Mas o procedimento só pode ser feito cinco anos após o paciente ter o diagnóstico de cura do câncer, tempo necessário para evitar que o membro seja novamente infectado e que todo o trabalho seja perdido. “O pênis é a segurança masculina, quando o homem tira o membro, muitas vezes, ele perde o convívio social e até se separa da mulher. Dar a oportunidade desses homens terem o membro novamente, é algo muito gratificante”, informou.

Ele ressaltou que os demais 5% dos casos de amputação são em decorrência de traumas como mordidas de animais, tiros, automutilação e crimes de lesão corporal. Casos de um menino que teve o pênis arrancado por uma piranha, de um homem que recebeu um tiro no pênis em uma briga e ainda de um amante que teve o membro mutilado com uma faca por um marido com ciúmes são alguns dos casos que ele já precisou atender e fazer o reimplante de pênis.

Nos casos de traumas, quando o pênis é arrancado do corpo, o uro-oncologista Cristiano Paiva, ressaltou que é preciso adotar alguns cuidados no momento da armazenagem do membro. “Depois do ocorrido, temos um prazo de até 12 horas para fazer um reimplante bem sucedido. Por isso, é importante essa armazenagem do membro de forma correta”, disse.

Programa estadual busca incentivar o diagnóstico precoce

Estimular a realização de exames e a busca do diagnóstico precoce é a principal meta da coordenação do programa Saúde do Homem, que foi criado no ano passado pela Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam). De acordo com o coordenador do programa,Eduardo Rivero de Toledo,de maneira geral,os homens são preocupados coma saúde da família,mas resistem quando o assunto é buscar tratamento para eles próprios.

Assim como as campanhas educativas para as mulheres conseguiram,em todo País, reduzir casos de doenças como o câncer de mama, a coordenação deve iniciar,no próximo ano,ações de conscientização para homens de 20 aos 59.

Eduardo Rivero ressaltou que a coordenação está realizando um levantamento da capacidade que a rede tem para atender os homens em Manaus e ainda o orçamento dos programas que devem ser executados.
“Com as campanhas deve haver um aumento da procura e a rede precisa estar preparada para atender esse público. Nós queremos que esses homens procurem a atenção básica e a prevenção o mais cedo possível e que isso se torne algo cultural”, informou.