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Cerca de 5,3 mil pessoas fazem tratamento de aids no Amazonas

Do d24am

21 Jul 2010

Número é considerado preocupante, já que a doença já foi diagnosticada em 6.225 amazonenses.

Aproximadamente 5,3 mil pessoas estão realizando tratamento de aids no Amazonas, segundo o coordenador do programa estadual DST/Aids, Noaldo Lucena. A doença já foi diagnosticada em pelo menos 6.225 pessoas, nos últimos 20 anos no Estado, segundo dados do Ministério da Saúde.

A diferença do número de pessoas diagnosticadas com a doença e em tratamento pode ser explicada em razão das mortes ocorridas e ainda da não adesão do paciente ao tratamento. Durante o tratamento, os pacientes recebem medicamentos que impedem a multiplicação do vírus HIV e restauram a imunidade.

Ao governo, o custo de um tratamento de Aids pode chegar a R$ 35 mil por mês. “Na fundação, o paciente tem todo o tratamento gratuito. Os medicamentos são disponibilizados pelo Ministério da Saúde”. O tratamento é feito durante toda a vida do paciente.

A Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMTAM), zona centro-oeste de Manaus, é o local de referência para o tratamento da doença no Estado. Além de Manaus, somente Parintins, Tabatinga, Tefé e Itacoatiara, que possuem altos índices da doença em comparação a outros municípios, o tratamento é oferecido pelos Serviços de Assistência Especializada (SAEs).

Dados do Ministério da Saúde revelam que, somente nos últimos três anos, foram notificados 2 mil novos casos no Estado. Cerca de 85% dos pacientes estão Manaus.

Lucena ressaltou que mesmo os pacientes que têm opção de realizar o tratamento na sua cidade, a maioria opta pela capital. “Isso está associado ao fato do portador de uma cidade pequena se sentir estigmatizado pelas outras pessoas. Não assumindo que têm a doença, eles acabam buscando tratamento aqui”, contou.

A não aceitação da aids continua sendo o principal fator para o diagnóstico e tratamento tardio da doença. “A aids não tem cura, mas como qualquer outro tipo de doença é preciso ter controle. E quanto mais cedo o tratamento é iniciado há menos sofrimento”.

De acordo com dados da coordenação, no Amazonas, a faixa etária mais acometida pelo HIV é a de 20 a 29 anos. Até outubro de 2009, havia 1.193 casos do sexo masculino e 621 do feminino nessa faixa de idade. Segundo o Ministério da Saúde, em 2006, a taxa de incidência de Aids no Amazonas era de 4,5 para cada 100 mil habitantes. Em 2008, esse número saltou para 26 a cada 100 mil habitantes.

Na FMT, a pessoa pode procurar o Centro de Testagem Anônimo (CTA) e realizar o exame. “Esse é o primeiro passo. Caso seja diagnosticado e seja comprovada a necessidade o paciente é encaminhado ao tratamento especializado”.

Multa para quem discrimina

O Diário Oficial do Município (DOM) publicou, nesta terça, uma nova lei que prevê punições administrativas contra estabelecimentos comerciais, industriais, prestadores de serviços, órgãos públicos e privados que cometerem discriminação de portadores de HIV/Aids em Manaus.

A Lei 1.486 considera atos discriminatórios a exigência do teste HIV: para participar de processo de seleção visando a admissão em emprego, para permanecer no emprego, como condição para inscrição em concurso público. Ou ainda a recusa de prestar atendimento a portares de HIV em instituição de saúde pública ou privada, receber ingresso, matrícula, inscrição ou proposta de associação em instituições educacionais, creches, associações civis, públicas ou privadas.

Segundo o Artigo 4º, as infrações à lei serão apuradas em procedimento administrativo, pelo órgão municipal competente. Segundo a legislação, qualquer pessoa poderá realizar a denúncia. A lei deve ser regulamentada no prazo de 60 dias.