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Desfile Daspu gira cabeça de gaúchos que nem catavento

Do Beijo da Rua

Flavio Lenz, de Porto Alegre

14/7/2010

Mais de 500 pessoas assistiram ao primeiro desfile Daspu em Porto Alegre, na noite de quinta-feira. De pé ou sentadas na calçada da Travessa dos Cataventos, da charmoso Casa de Cultura Mario Quintana, elas viram prostitutas de 11 estados, garotos de programa e simpatizantes cruzarem a passarela mostrando, além dos charmosos modelitos da grife, o orgulho de sua identidade profissional e a afirmação de direitos.

Todos os modelos foram muito aplaudidos e algumas, saudadas com gritos e assovios. Leila Barreto, do Grupo de Mulheres Prostitutas do Estado do Pará (Gempac), Cida Vieira, da Associação de Prostitutas de Minas Gerais (Aprosmig), e Elaine Bortolanza, do Sesi de Brasília, foram três das mulheres que deram show de ousadia e sedução na passarela-passeta, chupando enormes pirulitos entre uma rebolada e outra. A coleção Da Farofa ao Caviar retratava bem a vida das putas, que estão no botequins e nos salões de festa.

A imprensa veio em peso. Jornais, emissoras de TV e veículos de internet levaram ao mundo imagens da noite em que, também pela primeira vez, um encontro da Rede Brasileira teve desfile da grife da ONG Davida. O evento aconteceu logo após a abertura do Encontro, na própria Casa de Cultura.

Ganso no açude

Um convidado muito especial assistiu a tudo mais faceiro que ganso no açude. Mario Quintana, ele mesmo, o poeta e anfitrião do evento, ficou sentadinho numa mesa na beira da pista, lado a lado com a fundadora da ONG e da grife, Gabriela Leite.

A gaúcha Nilce Machado, do NEP, percebeu assim o evento: “Nunca pensei que teria tanta repercussão e tanta gente. Antes do desfile, ouvi algumas pessoas da plateia fazendo chacota. Depois, se entusiasmaram. Tenho certeza que saíram daqui diferentes, pensando de outra forma sobre a prostituição”.

O competente DJ José Miguel, que tocou samba, rock-reggae e funk e já atuou como modelo Daspu, disse que o desfile foi resultado de um “esforço coletivo”, que reuniu Davida, NEP, Panda Filmes, Salão do Paul, Apema, Estética Bem Bela, o cenógrafo Alexandre Moreira e o Casa Mario Quintana. Um time de 30 pessoas, sem contar com modelos. Todos, sem exceção, voluntários.

Depois do desfile, o público investiu na banca montada pela grife para comprar vários dos modelitos desfilados.
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