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Profissionais do sexo protestam em coletiva da Pepfar

Do Beijo da Rua

"Manifestantes da Rede Global chamam politica americana de “assassina”


Flavio Lenz, de Viena

20/7/2010

Putas, miches e trans profissionais do sexo ocuparam esta tarde uma sala de entrevistas do Centro de Midia da Aids 2010, em Viena, para protestar contra a politica norte-american Pepfar, que condiciona acoes de Aids com essa populacao a medidas arbitrarias e prejudiciais. O protesto aconteceu durante coletiva em que um dos entrevistados era o embaixador americano Eric Goosby, responsavel pela Pepfar.

O ativista frances Thierry Schaffauser chamou Goosby de “assassino”. “Voces estao matando profissionais do sexo com essa politica”, gritou. Os 40 colegas de Thierry tambem se aproximaram da mesa gritando palavras de ordem, como “Pepfar – nada de camisinhas para profissionais do sexo”; “Pepfar manipula”; “Trabalho sexual e trabalho”; “Goosby esta me matando”; “Mudem a Pepfar ja”; “Reabilitacao e igual a violencia contra profissionais do sexo”. Embora o protesto fosse pacifico, dois segurancas retiraram o embaixador da sala.

Coletiva com manifestantes

Os manifestantes ainda percorreram o Centro de Midia, carregando guarda-chuvas vermelhos e cartazes com as palavras de ordem. “Conseguimos praticamente uma coletiva”, disse a ativista peruana Angela Villon. Um dos entrevistados foi a prostituta Macklean Mary, de Uganda: “Queremos respeito, reconhecimento, inclusao social e dialogo com nossos lideres politicos. E nao precisamos de financiamento sem tudo isso”.

Depois de alguns minutos, todos foram conduzidos para fora do Centro de Midia, mas continuaram a percorrer os largos corredores do Centro de Convencoes, sempre se manifestando, em direcao a Aldeia Global. La, comemoraram o impacto da acao no estande da Rede Global do Trabalho Sexual (NSWP), que promoveu o protesto.

Profissionais do sexo de todo o mundo demandam que os fundos norte-americanos de combate a Aids, tanto da Pepfar quanto da Usaid, nao discriminem e apoiem organizacoes da categoria a fim de fortalecer a prevencao.

Clausula anti-prostituicao

A legislacao americana impede qualquer organizacao que nao tiver uma politica explicita contra a prostituicao e o trafico de seres humanos de receber fundos da Pepfar, ou Plano de Emergencia do Presidente Americano para o Alivio da Aids, criado por George W. Bush. O instrumento e conhecido como clausula anti-prostituicao e inviabiliza o apoio a associacoes de trabalhadores do sexo e a outras ONGs que construiram relacoes de confianca com as primeiras.

Em 2006, organizacoes ligadas a Rede Brasileira de Prostitutas, lideradas pela ONG Davida, consideraram a clausula inaceitavel e a denunciaram como uma interferencia na soberania do pais. Outros movimentos sociais apoiaram a posicao das prostitutas e o governo brasileiro decidiu recusar 48 milhoes de dolares do governo americano destinados a ONGs.
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