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Um em cada três portadores da Aids fica sem remédios contra HIV

Do R7

16/07/2010

Doença atinge mais de 33 milhões de pessoas em todo o mundo

A cada três pessoas que vivem com a Aids no mundo, pelo menos uma delas não tem acesso ao coquetel anti-HIV, vírus causador da doença. A falta de tratamentos para os portadores da Aids será um temas debatidos a partir do próximo domingo (18) durante a 18ª Conferência Internacional da Aids.

Promovido pela Unaids (Programa das Nações Unidas de Combate à Aids), o encontro vai reunir até sexta-feira (23) 25 mil especialistas em Viena, na Áustria.

Desde que o vírus foi descoberto, há quase 30 anos, a Aids já infectou 65 milhões de pessoas e causou 25 milhões de mortes. Só em 2008, a doença afetava mais de 33 milhões de pessoas em todo o mundo.

Segundo a Unaids, após décadas de luta contra a doença, o ritmo de propagação do vírus vem diminuindo e a ciência avança em direção a uma vacina. A falta de recursos, no entanto, é um problema crescente que ameaça esses avanços.

O resultado disso, de acordo com a agência da ONU, é que 11 milhões de doentes não têm acesso aos medicamentos antirretrovirais. Isso representa 33% de todas as pessoas infectadas no mundo todo.

Esses remédios impedem a multiplicação do HIV e diminuem a quantidade do vírus no organismo. Com isso, a defesa do organismo melhora e o portador corre menos risco de desenvolver outras doenças.

NÚMEROS DA AIDS

- Nos últimos 30 anos, 65 milhões de pessoas já foram infectadas.
- O vírus HIV já causou 25 milhões de mortes.
- Em 2008: 33,4 milhões de pessoas eram portadores da Aids.
- África subsaariana: 22,4 milhões de soropositivos (67% do total).
- A Aids é a doença que mais mata na África.
- América Latina: 2 milhões infectadas; 77 mil morreram em 2008.
- Brasil: 730 mil soropositivos e 200 mil mortes.

Fonte: Unaids/ONU


De acordo com Paulo Lyra, porta-voz da OPAS (Organização Pan Americana da Saúde), um dos problemas que agravam a situação da Aids no mundo é que muitos países dependem de ajuda externa para lutar contra a doença. Esses recursos, no entanto, estão cada vez mais limitados.

- Em 2009, o Fundo das Nações Unidas para a Aids calculou que em 2010 seriam necessários US$ 25 bilhões. [Mas] o que está disponível agora são US$ 11,3 bilhões.

Lyra disse que na América Latina e no Caribe, onde há 2 milhões de pessoas portadoras do HIV, o atendimento deste problema de saúde consome até 30% dos orçamentos de vários países.

Faltam investimentos

Segundo o coordenador da MSF (Médicos sem Fronteiras) em Genebra, Nathan Ford, apenas de 30% a 40% das pessoas que precisam do tratamento estão recebendo os medicamentos antirretrovirais.

Em novembro de 2009, a MSF denunciou o congelamento de fundos internacionais dedicados à luta contra o vírus HIV.

- Levamos dez anos tratando a Aids, e já sabemos o que funciona e o que não, mas agora nos dizem que não há dinheiro suficiente.

Segundo Ford, há países da África subsaariana que realizam grandes campanhas de publicidade para convencer as pessoas a fazerem testes para descobrir se estão infectadas com HIV. No entanto, depois de encontrarem novos infectados, Ford afirma que esses países não têm condições de tratar a todos.

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