23.8.10

Artistas de rua protestam contra a privatização de espaços públicos

Da Agência Brasil

23/08/2010

Rio de Janeiro – Artistas de rua organizaram hoje (23) uma manifestação pelo cumprimento do artigo constitucional que prevê a livre expressão artística em espaços públicos. O protesto foi feito na Cinelândia, no centro do Rio, e fez parte de uma mobilização nacional. As lideranças do movimento vão encaminhar às autoridades municipais e estaduais uma Carta Aberta com as reivindicações.

Segundo Richard Riguetti, articulador da Rede Brasileira de Teatro de Rua no Rio, os artistas estão enfrentando muitas dificuldades devido à privatização dos espaços públicos abertos. Ele critica o fato de a cultura ser administrada pela Secretaria de Ordem Pública no Rio de Janeiro, em vez do órgão de cultura.

“Estamos fazendo uma manifestação em todas as capitais do Brasil, colocando os artistas para esclarecer a população que essa atividade que nós fazemos é saudável para a cidade. Traz muitos benefícios como a ocupação dos espaços públicos, a diminuição da violência, o exercício da cidadania”, afirmou Riguetti.

O ativista deu exemplos de proibição de atividades em Florianópolis, onde as pessoas não estão podendo jogar malabares nos sinais, e em Belo Horizonte, onde ocorreram problemas em várias praças, inclusive na Praça da Liberdade onde foi exigida uma autorização da Vale do Rio Doce para manifestações artísticas. No Rio de Janeiro, ele relatou recentes proibições no Largo do Machado, na zona sul da cidade, e em Campo Grande, zona oeste. Segundo Riguetti, no segundo caso, o artista teve seu material apreendido e assinou um boletim de ocorrência na delegacia.

“Para esse artista que trabalha [diretamente] com o cidadão sem parede, sem palco, sem iluminação, sem bilheteria, não há nenhuma política pública de estado que fomente e incentive essa atividade, o que há é uma política de controle, de normatização”.

A secretária municipal de Cultura, Ana Luisa Lima, afirmou que não concorda que haja falta de fomento e adiantou que será feito um decreto de liberação das atividades artísticas de rua. “Temos buscado o diálogo, mesmo o projeto sendo apoiado ou não por nós. Resolvemos esses problemas na maioria das vezes, buscamos uma aproximação”.

A Secretaria Municipal de Ordem Pública não se manifestou, apenas adiantou que desconhece qualquer tipo de proibição em relação à manifestações artísticas nas ruas cariocas.

Edição: Rivadavia Severo

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