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30.8.10

Casal monta bordel dentro de casa

Aumento da demanda por sexo despertou o tino comercial de Núbia e Samuel. Pressão familiar e da polícia fecharam a boate

Porto Velho (RO), 21 de Fevereiro de 2010
Leandro Prazeres
Núbia carrega o que sobrou do conjunto de luz e som que fazia sucesso na boate em que montou dentro de sua casa (Foto: Antônio Lima)

Independente dos julgamentos morais que se possa fazer, a prostituição em Jaci Paraná atende a mais antiga das leis de mercado: a lei da oferta e da procura. E poucas pessoas no distrito entenderam esse recado tão bem quanto o gari Samuel Pereira da Silva, 48 e sua esposa, Núbia Souza da Silva, 46.

Com 30 anos de casados, os dois transformaram a própria casa em um bordel, o “Íntimu´s” que chegou a abrigar, no seu auge, 10 garotas de programa de diferentes Estados do Brasil. A “Íntimu´s” foi, durante quase um ano, o cabaré mais comentado de Jaci Paraná. Nem tanto por sua estrutura, mas justamente por ser instalado na casa de um insuspeito casal da comunidade. “As pessoas não entenderam porque fizemos aquilo, mas pra gente, era um negócio como qualquer outro. Eu sinto falta do tempo da ‘Íntimus‘”, lembra Núbia, a gerente do cabaré.

Núbia e seu marido fizeram do improviso uma regra. Transformaram um box de alvenaria em frente a casa em uma boate com palco, “pole dance” e aparelhagem de som e luz de última geração.

Para atrair a clientela, Núbia mandou construir quartos nos fundos do terreno onde as garotas eram hospedadas e faziam seus programas. “A gente não cobrava nada delas. Nós ganhávamos com o movimento da boate. Eu as tratava como filhas”, conta Núbia com uma fala que beira a comoção, se é que isso é possível.

Virada
Mas o lado “mãe” de Núbia teve de dar lugar ao seu lado “avó”. No ano passado, a neta de nove anos de idade foi morar com o casal e a gerente do cabaré teve de encerrar as atividades. “Não tinha mais clima pra manter as meninas aqui. Além disso, a polícia civil já tinha vindo e proibido as garotas de dormirem nos quartos que eu mandei fazer pra elas. A pressão estava grande e decidimos parar”, disse.

Dos tempos de bordel, Núbia guarda alguns apetrechos do sistema de luz e o falatório da comunidade.

“O pessoal ficou falando muito mal da gente. Mas não fizemos nada de errado. Os vizinhos denunciavam a gente, mas isso ficou pra lá. É passado”, diz Samuel, que se recupera, agora, de um acidente vascular cerebral. “Ele ficou todo entrevado, coitado. Morre de medo de ficar assim pra sempre”, comenta, às escondidas, sua esposa.

Hoje, quem passa em frente ao que já foi a “Íntimu´s” não poderia imaginar que ali já existiu um cabaré. O box está vago e com a pintura de um respeitoso açougue, mas, há três semanas, um empresário procurou o casal. Quer montar uma funerária no local.

Fonte: A Crítica / Manaus