Breaking

28.8.10

Pesquisa Datafolha inédita revela que um a cada dez adultos desconhece o câncer de pulmão no Brasil

Do Olhar Direto
28/08/2010

Os resultados do estudo Saúde Respiratória e do Pulmão, encomendado pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) ao Instituto Datafolha não poderiam ser mais estarrecedores. Entre os diversos dados que demonstram a falta de informação da população acerca das doenças que atingem pulmões e demais órgãos do sistema respiratório, 90% dos entrevistados não lembraram espontaneamente do câncer do pulmão quando indagados sobre as doenças respiratórias que conheciam. Mesmo após revelada lista com os principais males que atingem a saúde respiratória, entre eles o câncer de pulmão, 10% reafirmaram desconhecer o mal.

A constatação foi recebida com surpresa pelos médicos pneumologistas. “Mesmo com todas as campanhas para conscientização, ainda é muito grande o número de pessoas que nunca ouviu falar nessa doença”, aponta a dra. Jussara Fiterman, presidente da SBPT.

Espontaneamente, as doenças mais citadas foram asma (44%) e bronquite (40%), seguidas de pneumonia (24%), gripe/resfriado/H1N1/gripe suína (19%) e tuberculose (17%). Responderam desconhecer qualquer doença 15% dos entrevistados.

Após tomar conhecimento da lista das principais patologias pulmonares, as mais conhecidas foram gripe/resfriado (99%), asma (96%), pneumonia (96%), e bronquite (95%), seguidas de tuberculose (94%) e câncer de pulmão (90%).

Mais sobre a pesquisa

Os 90% que, após receber a lista com as principais doenças respiratórias, afirmaram conhecer o câncer de pulmão, prosseguiram respondendo questões acerca de sintomas, prevenção, diagnóstico e outros aspectos da doença. Novamente o que se encontrou foi desinformação.

Destes, 90% acertaram que a fumaça do cigarro é o principal fator que causa ou agrava a doença, 32% citaram a poluição e 23% o fator genético. No entanto, erroneamente, declararam causar ou agravar o quadro pó ou poeira (19%), clima frio ou úmido (13%), sedentarismo (9%), ar-condicionado ou ventilador (8%), bebida alcoólica (1%). Outros 6% não souberam citar um único fator causador do câncer do pulmão.

Com relação aos sintomas e detecção, o alarme é ainda maior: 47% não conseguiram citar um único sintoma, 20% não foram capazes de determinar um exame para diagnosticar a doença e 49% não souberam dizer qual a especialidade médica a ser procurada em caso de suspeita da doença.

“Este câncer pode suscitar diferentes sintomas conforme a localização do tumor, sendo impossível generalizar. Para se ter uma ideia, enquanto um câncer central causa tosse; o periférico provoca dor torácica. Já no caso de escarro com sangue, provavelmente o câncer atinge um brônquio”, explica dr. Fernando Lundgren, diretor de divulgação da SBPT.

Exposição à fumaça de cigarro

Mesmo na vigência da lei antifumo em diversas regiões do país, mais de um quarto dos entrevistados (26%) declararam ficar expostos à fumaça do cigarro em média 4 horas ao dia. Oito em cada dez declararam não fumar (79%); e dos 20% que mantém o hábito, consomem em média 13 cigarros por dia.

O costume de fumar é maior entre os homens, de faixa etária de 25 a 59 anos, com ensino fundamental.

Tabagistas ou não, da totalidade dos entrevistados que afirmam conhecer a doença, 1% não concordam que o câncer de pulmão seja causado pelo cigarro; e 1% não crê nos prejuízos do tabagismo passivo, ou seja, que a fumaça do cigarro traz iguais prejuízos ao não-fumante quando em contato com a mesma.

Câncer tem cura

Embora o prognóstico de quem recebe a confirmação do câncer de pulmão seja difícil, muito se deve ao fato de a doença geralmente ser descoberta já em estágio avançado, quando as chances de cura já estão bastante reduzidas.

“Em caso de dúvida, o ideal é procurar um médico pneumologista o quanto antes. No caso de tabagistas com mais de 40 anos, é recomendada uma consulta anual. A mesma orientação vale para quem parou de fumar recentemente, pois os riscos de ter a doença relacionada ao tabagismo se prolongam por cerca de cinco anos após a cessação”, explica dr. Lundgren.

No entanto, parece que a população ainda carece de informação. Diante da afirmação “câncer de pulmão tem cura”, 33% dos entrevistados discordam, não acreditando na cura da doença; e 13% não concordam nem discordam. Ou seja, pouco mais da metade (54%) concordam, ainda que em parte.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), até o fim de 2010 o Brasil deve registrar 27.630 novos casos de câncer de pulmão, sendo 17.800 homens e 9.830 mulheres. Em 2008, foram registradas 20.485 mortes em decorrência da doença, dos quais 13.050 homens e 7.435 mulheres.

Quem é o pneumologista

Quanto ao especialista que deve ser procurado em caso de suspeita, o pneumologista, médico especializado não apenas em câncer do pulmão, mas em todas aquelas doenças que podem atingir qualquer parte do sistema respiratório, foi citado por somente 14% dos pesquisados. Foi mais lembrado entre os indivíduos das classes A (27%) e B (22%), nível superior (26%), e entre os pertencentes às faixas etárias acima de 60 anos (20%) e de 45 a 59 anos (19%).

“Uma confusão grande é associar o pneumologista somente às doenças do pulmão. O médico pneumologista trata de todo o trajeto que o ar percorre na respiração, e que pode ser prejudicado por doenças como asma, rinite, tuberculose, gripe, resfriado, câncer de pulmão, pneumonia, além de outras menos conhecidas, como a fibrose cística, DPOC ou hipertensão pulmonar”, explica a presidente da SBPT, dra. Jussara Fiterman.

A pesquisa

Com o objetivo de levantar junto à população brasileira mais informações sobre o seu conhecimento acerca da saúde respiratória e dos males que a atinge, foram entrevistados 2242 brasileiros com 16 anos ou mais, pertencentes a todas as classes econômicas, em uma pesquisa quantitativa, com abordagem pessoal, em pontos de fluxo populacional.

As entrevistas foram realizadas mediante aplicação de questionário estruturado, com cerca de 20 minutos de duração, distribuídas em 143 municípios, com margem de erro máxima de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.

O desenho amostral foi elaborado com base em informações do Censo 2000/ estimativa 2009 (Fonte: IBGE), com a estratificação por Unidade Federativa e porte dos municípios, de acordo com os pesos das regiões brasileiras, de forma a representar o universo estudado.

Desta forma, 39% dos entrevistados residem na região Metropolitana e 61% no interior. A maioria deles possui entre 16 e 44 anos (63%), tem filhos (62%), escolaridade fundamental (47%), pertence à classe C (48%), faz parte da população economicamente ativa (68%), possui renda familiar até R$ 1.020,00 (até 2 salários mínimos) (51%), reside na região Sudeste (43%).