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16.10.10

Brasil terá o primeiro Consenso de Vacinação da Mulher

Da Revista Fator
16/10/2010

O Consenso de Vacinação da Mulher, resultado dos estudos da Associação Brasileira de Imunizações (SBIm) e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) foi lançado no dia 15 de outubro (sextaa-feira). Motivo de alívio para médicos e pacientes. O calendário será apresentado no Congresso Internacional de Ginecologia e Obstetrícia, que acontece de 14 a 16 de outubro, no Centro de Convenções Sulamérica, no Rio de Janeiro. O documento servirá de guia para especialistas da área. Inclui orientações sobre as vacinas que devem ser tomadas e o período ideal para aplicação das doses.

O Ginecologista é o profissional mais consultado pelas mulheres. Por isso, segundo Dra. Isabella Ballalai, vice-presidente da SBIm, é um dos especialistas que mais podem contribuir para a imunização na faixa adulta. “O lançamento do calendário é um divisor de águas da vacinação, já que ginecologistas não possuíam, até agora, uma orientação institucionalizada, como os pediatras”, destacou Isabela. As mulheres, por sua vez, exercem influência nos hábitos de saúde de toda família. Por isso, se estiverem bem orientadas no que diz respeito à imunização, influenciarão também os familiares. “O consenso é um incentivo para tomar conta da paciente”, concluiu Vera. E para a paciente tomar conta da família.

As infecções durante a gestação são causas de aborto, má formação do feto e morte fetal. As infecções durante o parto também podem provocar graves doenças no recém-nascido. Por isso, é importante que a mulher complete o calendário de vacinação, que inclui, por exemplo, rubéola, caxumba e HPV, antes de engravidar. Segundo Dra. Vera Lucia Mota da Fonseca, secretária executiva adjunta da Febrasgo, o documento vai suprir uma necessidade dos especialistas em saúde da mulher e ainda vai atuar na conscientização destes. “Ginecologistas e obstetras são o primeiro passo para a saúde da mulher e da criança. Mas às vezes falham na vacinação, por ausência de diretrizes”, explicou. Além disso, a vacinação, como ferramenta de prevenção de doenças, pode ser considerada um fator econômico. “A prevenção é um investimento, em contraponto com os custos financeiros e pessoais do adoecimento, como internações, tratamentos e dias de trabalho perdidos”, acrescentou Isabella.

Algumas vacinas indispensáveis - HPV: Indicada somente para o sexo feminino. 50% da população sexualmente ativa entram em contato com o vírus em algum momento e, já que o preservativo não é totalmente eficaz, a vacina é a principal forma de prevenção. A vacinação contra o HPV é contra-indicada para gestantes.

Varicela: Mais conhecida como catapora. Quando se manifesta na fase adulta, pode causar infecções bacterianas graves e levar à morte. Deve ser tomada a partir dos 13 anos de idade e é contra-indicada para gestantes e pessoas Imunossuprimidas.

Hepatites A e B: A Hepatite é uma das maiores causas de hepatite fulminante no Brasil e pode ser contraída pela água, alimentos contaminados ou contato direto com o doente. Já o tipo B pode ser transmitido por contato com o sangue infectado, o que inclui relações sexuais. A vacinação é indicada para não gestantes e gestantes, em situações especiais.

Influenza (gripe): É causa comum de pneumonia viral e complicações bacterianas, sobretudo pneumocócicas, o que reforça a importância de vacinar, anualmente, todas as mulheres, em especial as gestantes (grupo de maior risco de complicações). A vacina confere proteção exclusivamente contra as cepas do vírus da Influenza contidos em sua formulação, o que varia ano a ano, conforme os tipos em circulação nos hemisférios Norte e Sul. Portanto, não protege de outros vírus causadores de quadros similares ao da gripe (VSR, adenovírus, rinovírus, etc.).

Febre amarela: A vacinação está indicada apenas para adolescentes e mulheres adultas que vivem nas regiões em que a doença é endêmica ou que pretendem viajar para essas regiões. Requer dose de reforço a cada dez anos. É, em geral, por precaução, contra-indicada pra gestantes e puérperas, mas pode ser aplicada quando o médico avaliar que o risco de adoecimento por febre amarela suplanta o risco teórico da vacina durante a gestação.

Difteria, tétano e coqueluche: A vacinação deve ser de rotina e é indicada para pessoas de todas as idades a partir dos dois meses de vida. Em virtude do aumento no número de casos de coqueluche entre adolescentes e adultos e sendo este grupo importante fonte de transmissão da doença, principalmente para menores de um ano, a vacinação com a tríplice acelular tipo adulto (dTpa), atualmente, é preferível para adolescentes e adultos, sobretudo para aqueles que pretendem ter filhos.

Doença meningocócica: O meningococo é o principal agente causador de meningite bacteriana no Brasil. O tipo C vem sendo o mais incidente na maior parte do país. A doença atinge mais as crianças, mas também ocorre em adolescentes e adultos, principalmente durante surtos. Recomenda-se a vacinação de mulheres adolescentes e adultas com dose única da vacina meningocócica conjugada do tipo C.

Sarampo, caxumba e rubéola: São doenças que atingem mais as crianças, mas não são exclusividades destas. Os adolescentes e adultos costumam desenvolver a forma mais grave dessas doenças. São indicadas duas doses da vacina Tríplice Viral para mulheres até 49 anos de idade – e para estas a vacina está disponível na rede pública. Para maiores de 49 anos, indica-se uma única dose.