Chefe da Igreja belga mantém polêmicas declarações sobre as vítimas da Aids



O chefe da Igreja católica belga defendeu nesta sexta-feira sua afirmação de que a Aids é uma 'espécie de justiça imanente', apesar da polêmica causada em seu país, já indignado pelo escândalo de pedofilia por parte dos padres. Na foto, arcebispo Andre Joseph Leonard participa de coletiva em Bruxelas. Foto:Eric Lalmand/AFP.




Sex, 15 Out
Do Yahoo notícias

BRUXELAS (AFP) - O chefe da Igreja católica belga defendeu nesta sexta-feira sua afirmação de que a Aids é uma "espécie de justiça imanente", apesar da polêmica causada em seu país, já indignado pelo escândalo de pedofilia por parte dos padres.

Monsenhor Andre-Joseph Leonard, arcebispo de Bruxelas e considerado uma figura muito ligada ao Papa Bento XVI, tentou amenizar a controvérsia por suas declarações publicadas na quinta-feira em um livro de entrevistas, mas manteve sua postura.

"Segundo o que li em muitos artigos científicos, a Aids se propagou principalmente por comportamentos sexuais com todos os tipos de casais ou por relações sexuais anais, assim como vaginais. A única coisa que estou dizendo é que estão relacionados com os atos", afirmou Leonard.

"Acho que é uma declaração decente, honrada e respeitável", acrescentou, apesar de ter suas palavras tachadas pela imprensa e partidos belgas como "indignas", "inadmissíveis" e "homófobas".

Leonard enfatizou que suas declarações respondiam a uma pergunta sobre a liberação sexual e que de forma alguma aludia as pessoas infectadas através de uma transfusão sanguínea ou crianças nascidas de mães soropositivas.

"Se fumamos sem medida, talvez soframos de um câncer de pulmão. Se bebemos uma garrafa de uísque por dia - e não digo que isto seja uma falta -, devemos saber que nos expomos a certas consequências", acrescentou.

"A Aids é uma espécie de justiça imanente, que chega quando maltratamos a natureza profunda do amor humano", declarou o chefe da Igreja católica belga em publicado nesta quinta-feira.

Negando que a Aids seja um "castigo de Deus" devido à liberação sexual, o primaz da Bélgica afirmou que "no máximo, esta epidemia seria vista como uma espécie de justiça, mas não significa um castigo".

Léonard, um conservador que chegou ao topo da Igreja belga em janeiro, comparou a doença com os desastres ecológicos causados pela ação do homem.

"Quando o meio ambiente é maltratado, ele acaba por responder. Maltratar a natureza profunda do amor humano acaba sempre por originar catástrofes em todos os níveis", insistiu o primaz neste livro, publicado em holandês e que é uma atualização de textos divulgados em francês em 2006.

Os propósitos do líder dos católicos belgas provocaram diversas críticas em seu país.

O Partido Liberal Flamenco (VLD) qualificou as palavras de "incompreensíveis, ofensivas e insuportáveis".

São "um insulto para os diversos pacientes que lutam contra a doença e para as pessoas que cuidam deles", acrescentaram em um comunicado os parlamentares do VLD Gwendolyn Rutten e Nele Lijnen.

O Partido Verde Francófono qualificou as palavras de "estúpidas" e "discriminatórias".

No mesmo livro, Léonard mostra sua oposição ao fim do celibato dos sacerdotes, alguns meses após terem sido revelados na Bélgica centenas de casos de abusos sexuais contra menores cometidos por membros da Igreja católica.

"Todos sabemos que a maioria dos casos de pedofilia ocorre no seio das famílias. É esta uma razão para acabar com os casamentos?", questiona Léonard.

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