Estudo busca números sobre exploração sexual e tráfico humano no Amazonas

Pesquisa vai levantar dados sobre exploração infanto-juvenil (Foto: Ricardo Oliveira/Ag.Fapeam)

07/10/10 - Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o comércio e o tráfico de seres humanos estão em segundo lugar entre os crimes que mais ocorrem no mundo inteiro, ficando atrás apenas do tráfico de drogas. Na Amazônia brasileira, a falta de dados oficiais sobre o aumento da exploração sexual infanto-juvenil, crime que também envolve o tráfico de seres humanos, dificulta a elaboração de políticas públicas para o combate da problemática na região.

O estudo, lançado recentemente pela professora doutora em Ciências Biológicas em Programa de Recursos Naturais pelo Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), Lucilene Ferreira de Melo, tem como foco principal registrar oficialmente, os dados reais sobre a ocorrência de crimes de exploração sexual e tráfico infanto-juvenil, inicialmente, em 12 municípios do Amazonas.

“Nossa demanda surgiu a partir de uma solicitação da Cáritas Arquidiocesana de Manaus – uma instituição da Igreja Católica – que nos sugeriu um levantamento oficial sobre o crescente número de casos de exploração e tráfico infanto-juvenil no Estado”, justificou Melo.

Com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM) por meio do Programa de Infraestrutura para Jovens Pesquisadores – Programa Primeiros Projetos (PPP), o estudo será realizado inicialmente em 12 municípios da Região Metropolitana de Manaus e, em um segundo momento, se estenderá para os municípios de fronteira, conforme informou a pesquisadora.

Melo explicou que o projeto ainda se encontra em fase inicial e conta com a parceira da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM), Centro Universitário do Norte (UniNorte), além da Cáritas.

A pesquisadora revelou que a Cáritas pretendia fazer o levantamento em nível nacional, porém, dada a dificuldade para a realização e a urgência da necessidade dos números, o estudo foi delimitado.

“Começamos a discutir o trabalho e a Cáritas sugeriu que fosse algo mais voltado para a questão da mobilização e de ação, para que pudéssemos desenvolver mais a elaboração de propostas para a resolução da problemática”, comentou.

Cultura

Um dos maiores problemas detectados no estudo, conforme explicou a pesquisadora, se dá a partir da questão cultural de as pessoas não terem o hábito de registrar os crimes.

“Muitas vezes, essas pessoas não têm a consciência de que estão sofrendo um crime e, ao contrário disso, elas pensam estar vivendo uma oportunidade. Acontece que, culturalmente, vivemos experiências de meninos, meninas, adolescentes e jovens que vêm de cidades do interior para tentar uma vida melhor na capital e acreditam que os aliciadores são pessoas que vão ajudá-los”, explicou.

Melo relatou que, quando chegam à capital, as vítimas se deparam com maus tratos e até cárcere privado. Em algumas situações, a comercialização dessas pessoas tem como único objetivo o tráfico de órgãos.

“Quando se veem dentro do problema, eles não têm a quem recorrer, não podem denunciar por temer a própria vida ou mesmo por medo de não ter para onde ir”, esclareceu.

Com o estudo, Melo, que também é coordenadora do curso de Serviço Social da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), pretende oficializar os dados levantados e, a partir daí, ajudar os poderes instituídos a criarem políticas de combate a esses tipos de crimes.

Sídia Ambrósio – Agência Fapeam

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