17.10.10

Mulheres investem em brinquedinhos eróticos e estimuladores de orgasmo para apimentar a relação

Gláucia Mazzei
Agência BOM DIA

17/10/2010

A agente de organização escolar Keully Laulyne Terra de Oliveira (nome inventado por ela como mais uma de suas fantasias), 40 anos, gasta de R$ 80 a R$ 150 por mês em produtos sensuais para esquentar o relacionamento com o marido.

Casada há 20 anos e mãe de três filhos, ela usa sempre que pode gel e outros brinquedinhos no momento do sexo. “Adoro ir para São Paulo fazer compras”, conta.

E ela compra porque quer. Diz que o marido, apesar de aprovar tudo, nunca pediu que enchesse o carrinho neste mercado de sensualidade. “Dá adrenalina, coloca uma pimenta no relacionamento.”

O hábito de frequentar sex shops começou há cerca de 17 anos. Hoje ela não sente vergonha em entrar em uma loja e escolher o que quiser, mas diz que, apesar da liberação sexual da mulher, ainda existe muita resistência entre o público feminino. “Eu mesmo sinto vergonha de ir sozinha.”

Cristiane Barros, 31, não sente mais. Há dez anos, ela e as amigas de faculdade, Priscila Brunholi 31, e Aniella Loredo, 31, fugiam das aulas, na Universidade São Francisco, em Bragança Paulista, só para visitar sex shops. “Sempre gostei, para mim já nem é mais novidade”, diz Cristiane.


Clodoaldo de Silva/Agência BOM DIA
Priscila Brunholi arruma lingeries e outros brinquedos eróticos em sua loja, a charmosa La Boutique Sexy, inaugurada há um mês na rua Bela Vista

Ela conta que a mãe, uma professora aposentada, hoje com 67 anos, sempre foi aberta à educação sexual e essa liberdade foi bem aproveitada. “Ao mesmo tempo que era bem liberal, eu fui muito careta.”

Com um ex-namorado, com quem ficou dez anos, ela usava muita lingerie sexy, meia arrastão e apostava das fantasias. Nunca foi fã de gels ou vibradores, mas estes apetrechos viraram sua marca registrada. Sempre que as amigas faziam chá de cozinha, estes eram os presentes oferecidos por Cristiane.

Para ela, os produtos vendidos em sex shops renovam o relacionamento. “Se você consegue 95% do que seu parceiro necessita, não perde a pessoa e beneficia a relação”, diz. “Não precisa abrir o que acontece entre quatro paredes mas é preciso fazer isso, senão a relação morre.”

Existe até vibrador carregado na tomada
A linha de vibradores tem de todos os tamanhos e preferências. A moda entre a mulherada agora é o butterfly, um estimulador em formato de borboleta (o completo custa a partir de R$ 168) que promete loucuras. Existe também um estimulador em formato de joaninha (R$ 116), com o mesmo propósito. O top de é o Lilo, o estimulador de ponto G, carregado na tomada. Mas o que dizer do Angelic Dreams? Ele é articulado, se mexe e tem até a textura parecida à do pênis.

R$ 360
É o valor do Lilo, vibrador top de linha

Batom ganha outra utilidade
Quando o assunto é sexo, a imaginação não tem limites. Hoje em dia existe vibradores até para se carregar de bolsa. Ele é em formato de batom (R$ 49,90) e ninguém diz ser um estimulador sexual. Até ele começar a vibrar. Os preços são da La Boutique Sexy (rua Bela Vista, 174)

A rua é bucólica, mas a velha casa da Bela Vista esconde a malícia
Empresárias transformam fantasias da juventude em um negócio voltado às mulheres que buscam ser sensuais, sem vulgaridade

Quando estavam na faculdade. em Bragança Paulista, as amigas Priscila Brunholi e Aniella Loredo, fugiam das aulas para visitar sex shop da cidade. E levavam junto outra amiga, Cristiane Barros.

Naquela época não era tão comum mulheres visitarem lojas para escolher lingeries mais sensuais, fantasias que povoam a imaginação do universo masculino muito menos vibradores e outros brinquedinhos eróticos.

Ainda mais em Jundiaí, cidade bem presa a padrões tradicionais de comportamento.

Mesmo assim, já naquela época, dez anos atrás, Priscila, a mais espevitada, sentia vontade de quebrar barreiras e abrir um espaço onde o público, principalmente as mulheres, pudessem entrar sem vergonha de conhecer o que há no mercado do sexo.

“Geralmente, as pessoas sentem vergonha de entrar em sex shop”, diz Priscila. “E, para ajudar, estas lojas são sempre em avenidas bem movimentadas. E parece brincadeira, mas sempre que a gente entra tem alguém conhecido passando de carro, que ainda buzina.”

Priscila, casada desde 2003 e mãe de uma menina de 6 anos, e Aniella, recém-casada e sem filhos, formaram-se mas nem seguiram o curso de hotelaria.

Priscila virou empresária ao lado do marido, Paulo, e Aniella, comerciante. Mas a vontade de trabalhar com uma butique sensual não morreu e elas apostaram no sonho da época da universidade . “Eu desvirtuei a Aniella do meio”, diverte-se Priscila.

Isso porque há um mês inauguraram a La Boutique Sexy, que vende de velas “recheadas” com óleo, a fantasias eróticas, chocolate de corpo e até vibradores que são carregados diretamente na tomada, assim como ocorre com celulares.

As amigas investiram cerca de R$ 150 mil na reforma de uma antiga casa, na rua Bela Vista. O resultado é uma decoração charmosa, com pintura rosa, que deixa qualquer um à vontade, mesmo as clientes mais tímidas. Tem até espaço para chá de lingerie e uma cozinha americana.

E o melhor. A loja tem estacionamento nos fundos já para evitar as tradicionais buzinadas de motoristas mais engraçadinhos.

Homens casados são os que mais procuram prostitutas
Se por um lado elas buscam maneiras de aprimorar o relacionamento em casa, 99% dos homens que procuram o sexo fora do lar, com prostitutas, são casados. E há pelo menos um “inferninho” em cada canto de Jundiaí. A estatística, informal, é apostada pela garota de programa F. B., 30 anos, mais conhecida como Érika. “É raro solteiros nos procurar”, diz. Mãe de três filhos, ela é do Piauí. Chegou a São Paulo para trabalhar em boate, em Atibaia.

Veio com mais sete garotas em um ônibus pago pelo cafetão, mas antes já havia trabalhado em Feira de Santana, na Bahia. Hoje ela trabalha por conta, mora de aluguel em Jundiaí e até o fim do ano pretende trazer os filhos.

“Em boates existem regras, se for um dia bom, dá para fazer de três a cinco programas.”

O preço varia, segundo ela. Prostitutas cobram R$ 200 por meia hora de programa e R$ 50 fica com a boate.

Segundo Maria Cristina Castilho, coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher e presidente da Associação Maria de Magdala hoje há de 20 a 25 mulheres trabalhando em cada boate de Jundiaí, a maioria de fora. Ela diz que nos últimos anos aumentou de adolescentes prostituindo-se. “Percebe-se muitas jovenzinhas próximas a estes bares vendendo o corpo pela droga.”

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