15.11.10

Lei que proíbe uso de cerol é debatida em audiência pública

Da Câmara Municipal de Manaus

“Brincar de papagaio sem cerol é como tomar cerveja sem álcool”. A frase é do artesão Marcos Jones, fabricante de papagaios de papel, e foi dita durante a audiência pública realizada na manhã de hoje (12), no plenário da Câmara Municipal de Manaus (CMM), para debater o Projeto de Lei de autoria dos vereadores Homero de Miranda Leão (PHS) e Cida Gurgel (PRP), que proíbe a venda e o uso do cerol na brincadeira de empinar papagaio na cidade de Manaus.

A audiência, requerida pelo vereador Gilmar Nascimento (sem partido), foi realizada pela Comissão de Turismo, Indústria e Comércio da CMM e aberta pelo presidente da Casa, Luiz Alberto Carijó (PTB), que ressaltou a preocupação dos autores do projeto com os riscos que o uso do cerol nas linhas de papagaio oferecem à segurança das pessoas, principalmente os condutores de motocicletas que têm sido as principais vítimas dessa inocente brincadeira.
O presidente lembrou que Manaus deixou de ser uma pequena cidade e se transformou numa metrópole com quase dois milhões de habitantes. “É claro que quando uma cidade cresce, muda sua forma e suas relações humanas e também as leis. Entretanto, é inegável que na cultura do Estado do Amazonas, a questão do papagaio e a linha de cerol que todos nós brincamos quando criança, hoje não cabe mais nas ruas ou logradouros públicos”, afirmou.
Carijó destacou que na formatação de uma Lei é preciso buscar o equilíbrio dos conflitos do ponto de vista da segurança das pessoas e da sociedade, mas também do respeito da ação individual e do direito de cada um ter o seu sustento com dignidade. “Por essa razão a Mesa interrompeu a tramitação desse projeto para que as pessoas que fazem desse ato cultural a sua vida, fossem ouvidas”, afirmou.
Na abertura da audiência foi apresentado um vídeo mostrando cenas de pessoas vitimas do cerol. De acordo com informação da Associação Brasileira de Motociclistas (ABRAM) cerca de 100 casos de acidentes fatais com linha de cerol são registrados anualmente no Brasil. O vereador Homero de Miranda Leão informou que o uso do cerol já é proibido em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rondônia e Santa Catarina.
Os participantes da audiência entenderam que o projeto é importante do ponto de vista de saúde pública, porém defenderam que não se proíba o uso do cerol, mas se busque a prevenção, estabelecendo pontos específicos para essa atividade. O vereador Gilmar Nascimento informou que o próprio setor está buscando essa organização e já definiu quatro pontos na cidade para esse tipo de brincadeira que são: na Zona Sul – área próxima a penitenciária Vidal Pessoa; na zona Norte – área no Igarapé do Passarinho; na Zona Centro-Sul – Av. do Samba; e na Zona Oeste – Ponte do Bariri.
Além dos vereadores já citados, participaram também da audiência os vereadores Francisco Gomes (PMN), Fausto Souza (PRTB), Ademar Bandeira (PT) e Socorro Sampaio (PP). A assistente social Eloísa Guimarães de Andrade representou o juiz Marcos Santos Maciel, do Juizado da Infância e Juventude Civil, e Christian Rocha, representou o secretário municipal de Desporto e Juventude (Semdej), Fabrício Lima.
Participaram ainda da audiência como convidados, os artesãos Marcos Jones e Carlos Soares Marinho, os brincantes Elias de Souza França e Alexandre Pereira de Souza e o vendedor de papagaio Waldir Farias Braga.

Fonte: Manoel Marques
Fotografia: Heraldo Rocha




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