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13.12.10

Pesquisa revela cotidiano dos portadores de deficiências

A vida melhorou, mas ainda há muito a conquistar, apontam especiais brasileiros

Pesquisa nacional inédita do DATASENADO revela que o Brasil tem melhorado as condições de vida dos portadores de necessidades especiais, o preconceito está diminuindo, mas ainda há um longo caminho na luta por amplo respeito aos seus direitos. Para metade (57%) dos 1.165 entrevistados a vida das pessoas com deficiência está melhor. No entanto, a maioria deles (77%) cobra mais respeito aos seus direitos. A redução do preconceito foi apontada por 59%.

A amostra do Senado foi subdividida em três grupos: pessoas com deficiência física (759), visual (170) e auditiva (236). Os dados foram coletados entre os dias 28 de outubro e 17 de novembro de 2010. Os resultados têm margem de erro de 3%. O presidente José Sarney é o autor da Lei 7853, de outubro de 1989, fundamental na definição de responsabilidades do Estado e dos direitos da pessoa com deficiência. Segundo dados do IBGE, o Brasil tem 24,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. Neste dezembro o Senado realizou VI Semana de Valorização da Pessoa com Deficiência. O evento anual, que acontece desde 2004, tem como objetivo ampliar espaços de integração e igualdade para os portadores de necessidades especiais.

Mais empregos, ainda dificuldades na educação

A pesquisa também revelou que 55% dos entrevistados têm algum trabalho remunerado, sendo que 71% desses estão empregados em empresas privadas, 15% são funcionários públicos e 15% autônomos. As pessoas com deficiência auditiva são as mais empregadas (67%), seguidas por aquelas com deficiência física (54%) e visual (41%). Para 52%, a legislação existente sobre o mercado de trabalho (Lei de Cotas) torna mais fácil a contratação de quem tem deficiência. A discriminação no ambiente de trabalho, por outro lado, é apontada como uma realidade, freqüente ou pelo menos parcial, por 43% dos entrevistados.

Quando o tema é a educação, 51% dos entrevistados defendem a escola deveria ser uma escolha pessoal do adolescente especial. Indicando que, se pudessem escolher, 69% optariam por uma classe comum em escola regular. Também foram apontadas críticas à falta de capacitação dos professores, as instalações físicas não adaptadas e ao material de ensino inadequado.

Facilidades na comunicação, dificuldades na locomoção

A internet foi indicada como principal meio para busca de informações e a TV como melhor meio para a intercomunicação entre as pessoas com deficiência.

As dificuldades para mobilidade urbana aparecem como uma das grandes queixas dos especiais. No caso da adaptação dos prédios, 64% acham que a minoria dos edifícios públicos está adaptada (66% no caso dos estabelecimentos comerciais). Ruas e calçadas adaptadas também são franca minoria, na avaliação de 52% dos participantes da pesquisa. No caso do transporte público, um empate: 43% acham que ele atende bem a pessoa com deficiência e outros 43% que não.

Quando o tema é lazer, a pessoa com deficiência quer integração, as mesmas atividades de recreação, mas em ambientes adaptados: 35% pedem a adaptação, 31% reivindicam mais opções de lazer e 64% dos entrevistados lamentaram não ter condições de praticar esportes (51% no segmento de deficientes visuais).

O planejamento da pesquisa "Condição de vida das pessoas com deficiência no Brasil" levou o DataSenado a estudar meios para assegurar plena condição de resposta às pessoas, independente de sua deficiência. Assim, um questionário telefônico foi aplicado para portadores de deficiência física ou visual, enquanto um questionário eletrônico foi desenvolvido especialmente para atender as pessoas com deficiência auditiva.


Link para íntegra da pesquisa


Secretaria de Imprensa da Presidência do Senado / 09/12/2010