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Portugal: Piscóloga defende: prostituição é opção profissional “perfeitamente legítima”

Do: destak.pt 16 | 12 | 2010

Uma psicóloga da Porto G, associação que sexta-feira assinala o Dia Internacional Contra a Violência sobre os Trabalhadores do Sexo, considerou hoje que a prostituição deve ser encarada como uma opção profissional “totalmente legítima”.


Para Mariana Garcia, a prostituição “é uma possível actividade profissional e uma opção totalmente legítima, devendo ser resultado de uma escolha livre e consciente”.

Numa declaração à agência Lusa, a psicóloga frisou que “diferentes processos de legalização do trabalho sexual podem ter diferentes implicações para os trabalhadores do sexo e para a comunidade em geral”, pelo que a escolha pelo quadro legislativo “mais ajustado” deve resultar “de uma discussão séria da comunidade, envolvendo diferentes figuras-chave”.

Considerando “importante que Portugal comece a questionar-se sobre este assunto e que oiça outras experiências sem julgamentos à priori”, a psicóloga sublinhou que ao Porto G interessa sobretudo “que os direitos enquanto pessoa e trabalhador sejam respeitados”.

O respeito por um desses direitos, o da preservação da integridade física das pessoas que se prostituem é o tema central das comemorações do Dia Internacional Contra a Violência sobre os Trabalhadores do Sexo que a Porto G promove sexta-feira.

Esta ação relaciona-se em exclusivo com a segurança física dos trabalhadores do sexo, fornecendo-lhes “dicas” sobre a forma de evitar a agressão e sobre como agir caso essa agressão venha a consumar-se, precisou a fonte.

Neste âmbito, serão distribuídas cópias de um manual e de folhetos, editados em seis línguas, a todas as organizações que trabalham nesta área.

Seguem-se um debate sobre estratégias de defesa e de prevenção da violência contra pessoas que se prostituem e a leitura dum manifesto elaborado, em 2005.

Toda a acção de sexta-feira será especialmente dirigida a trabalhadores do sexo “indoor”, ou seja, aos que exercem a prostituição em casas de alterne ou apartamentos, adiantou Mariana Garcia.

O Porto G, uma actividade da Agência Piaget para o Desenvolvimento (APDES), integra a rede europeia Indoors, de ajuda a trabalhadores do sexo.

A iniciativa, a que se associa o Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA, está marcada para as 17:00 no Pride Bar, rua do Bonjardim, 1121, junto ao Marquês, no Porto.

Ainda que a iniciativa de sexta-feira se direcione para as questões de violência física, Sandrine, também activista do Porto G, sublinhou que a promoção da saúde, sobretudo a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, “continua a ser o principal objectivo do projecto”.

O Dia Internacional Contra a Violência sobre os Trabalhadores do Sexo pretende assinalar o dia 17 de dezembro de 2003, altura em que o cidadão Gary Leon Ridgway foi condenado a prisão perpétua nos Estados Unidos pelo homicídio de 48 mulheres, a maioria das quais prostitutas