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Travesti morto no Ver-o-Rio

Do Portal ORM/Amazônia Jornal - Edição de 09/12/2010

Homossexual era perseguido por PMs e exposto a revistas em público

Um travesti foi morto com dois tiros na noite de terça-feira, na praça do Ver-o-Rio. Segundo amigos e familiares de Michel Felipe Teles dos Santos, 22, a "Mica", ele era perseguido por policiais e exposto a revistas vergonhosas em público. Ontem à noite, amigos que acompanhavam a vítima na praça afirmam que policiais mataram "Mica" por conta da orientação sexual.

Os dez amigos da vítima que o acompanhavam, em passeio pelo Ver-o-Rio, por volta das 21h do dia 7, contam que um deles fez um gracejo quando policiais militares pararam em uma viatura, enquanto o grupo lanchava. "Vão rindo que vocês vão ver o que vai acontecer", ameaçou um dos policiais, irritado com a atitude do rapaz.

Cerca de 20 minutos depois, dois motoqueiros pararam em uma moto ao lado do grupo. Um deles desceu do veículo, apontou para "Mica" e disse: "É (sic) tu mesmo". Em seguida, sacou uma pistola e atingiu Michel, que ainda teve forças para correr até ser atingido novamente e cair no chão. O resto do grupo correu em desespero.

Quando os motoqueiros se foram, amigos da vítima chamaram o serviço 192 e "Mica" foi levado para o Pronto Socorro Municipal (PSM) do Umarizal. Às 4h30 de ontem, no entanto, ele não resistiu e morreu na UTI. O corpo foi liberado ainda ontem de manhã para o velório, realizado onde o travesti morava, na esquina da avenida Antônio Everdosa com a travessa Curuzu.

Familiares se revoltam e atribuem autoria do crime a policiais

Dezenas de amigos e parentes se revoltaram com o episódio. Todos eram unânimes na opinião de que Mica foi morto por conta de sua opção sexual, pois não tinha vergonha de se vestir de mulher. Segundo amigos próximos, ele era ridicularizado por uma dupla de policiais.

"Esses abusos aconteciam no Ver-o-Rio e em frente à casa dela também", relata um amigo de Mica, que, como os demais colegas do grupo, teme se identificar e até sair de casa. "(Os policiais) a mandavam levantar o vestido como se tivessem a revistando, mas era para fazê-la se envergonhar, já que ela usava fio dental."

Jurandir Reis, tio de "Mica", afirma que irá até as últimas consequências para que os culpados sejam condenados. Até ontem, apenas o registro de ocorrência para remoção do cadáver do PSM havia sido feito. Hoje, Jurandir disse que vai depor na Seccional do Comércio e registrar ocorrência na corregedoria da Polícia Militar, por conta da forte desconfiança de os assassinos são da corporação.

"Qualquer um pode ver que 15 testemunhas estão dando exatamente o mesmo relato. Meu sobrinho era perseguido por uma dupla de policiais e foi ameaçado minutos antes da morte", diz o tio.

Para ele, assim como para demais amigos e familiares, os assassinos são dois policiais que não gostavam de Mica porque ela assumia com ousadia sua opção sexual. "Ele não fazia mal a ninguém, não fumava nem roubava. Só ia para lá se divertir com amigos, mas foi morto por preconceito", afirma Jurandir.