3.1.11

Gays de Uganda ganham indenização de jornal que pediu seu enforcamento

Do R7 03/01/2011

Grupo teve nomes, fotos e endereços publicados em reportagem do diário Rolling Stone

20.10.2010/AP
Homem lê reportagem polêmica do jornal ugandense Rolling Stone, com manchete "Top gays de Uganda”


O grupo de homossexuais identificados publicamente em um jornal de Uganda, com a manchete “Enforque-os”, ganhou uma liminar na Justiça estipulando uma indenização e ordenando o diário a não repetir esse tipo de iniciativa, confirmaram nesta segunda-feira (3) grupos de direitos humanos.

Segundo o jornal britânico The Guardian, a alta corte do país considerou que a matéria do jornal local Rolling Stone, mostrando endereços e fotografias de cerca de 100 pessoas nomeadas como “Top gays de Uganda”, viola os direitos constitucionais de privacidade e segurança. A publicação não tem qualquer relação com a revista americana Rolling Stone.

O tribunal estabeleceu uma multa de aproximadamente R$ 1.021 a ser paga pelos três autores da matéria a cada vítima, informou em comunicado a Coalizão da Sociedade Civil de Direitos Humanos e Direito Constitucional em Uganda.

A reportagem foi publicada no final de outubro e enfureceu ativistas, que dizem que o grupo, já marginalizado, poderia sofrer mais ataques. Segundo o Guardian, pelo menos uma mulher lésbica teve que deixar sua casa depois que vizinhos apedrejaram sua casa.

O conteúdo publicado pelo Rolling Stone dizia que a comunidade homossexual do país disse vai recrutar 1 milhão de crianças até 2012. A matéria também convoca os pais a combater "invasões ‘homos’ nas escolas". Dentro, uma manchete dizia: "Enforque-os, eles estão atrás de nossos filhos!".

Rejeição aos gays é presente em Uganda

O artigo foi publicada um ano depois que um deputado do país, David Bahati, apresentou uma medida que exige a pena de morte ou prisão perpétua para quem participar de atividades homossexuais.

A proposta foi arquivada depois de um protesto internacional.

Em outubro, o editor do jornal, Giles Muhame, defendeu a matéria e disse que ele a publicou para expor os gays e lésbicas que devem ser presos pelas autoridades.

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