Gays pedem criação da Secretaria própria e afirmam: 360 já podem ter morrido vítimas de homofobia

Do Paraíba - 16/01/2011 | 16h51min

O número de mortos de gays, lésbicas, bissexuais e travesti registrados oficialmente no estado é de 80 pessoas. A contagem remonta a 1985 e foi feito pelo Movimento do Espírito Lilás (MEL), contudo, o próprio movimento acredita que esses números não traduzem a verdade. As mortes seriam de três a quatro vezes mais.

O movimento tem dado sinais à administração estadual que seria bom desmembrar a atual Secretaria da Mulher e Diversidade Humana, para dar maior atenção a questão homossexual. Para isso já começou a conversar com a equipe de Ricardo Coutinho (PSB) e buscam marcar uma audiência com o governador. A intenção é fortalecer o trabalho em torno da questão da homofobia com relação aos gays, lésbicas e transexuais.

Entre as discriminações mais comuns sofridas pelo usuário LGBT no ambiente público, estão chamar o travesti pelo nome masculino, um homem não poder acompanhar o tendimento do parceiro ao médico e casos de gente vivendo com HIV onde lhes é dada uma cartilha da Bíblia para ler em casa, entre outros casos. “Começamos a desconstruir isso, lembrando sobre o estado laico. Mas a mudança cultural não é rápida, demora algum tempo, mas temos provocado essa discussão”, frisa Maia.

Estudo de casos - Um estudo feito pelo MEL, por grupo identitário de 1985 a 2008, aponta que os crimes têm se concentrado principalmente na região metropolitana de João Pessoa, nas cidades de João Pessoa, Santa Rita, Cabedelo e Bayeux. Mas além destas cidades há uma grande incidência também em Campina Grande.

Confira os números:

Número de mortes:

Gay 55 – Lésbica 03 – Bissexual 06 – Travesti 16

Por cidade:

Conde – 03 gays

João Pessoa – 35 gays, 01 Lésbica, 04 Bissexuais e 10 Travestis

Santa Rita – 01 Travesti

Campina Grande - 10 Gays e 03 Travestis

Cabedelo – 01 lésbica e de 02 Gays

Areial – 01 lésbica

Cajazeiras – 01 gay

Bayeux – 03 gays, 01 Bissexual e 01 Travesti

Uiraúna - 01 Gay

Pedras de Fogo – 01 Bissexual e 01 Travesti.

A Delegacia Contra Crimes Homofóbicos fica no centro de João Pessoa, na rua Treze de Maio, atrás do Shopping Cidade.


Contra homofobia - Em João Pessoa as secretarias de Saúde, educação e desenvolvimento social do município têm feito um trabalho conjunto visando o enfrentamento da Homofobia, informou Roberto Maia, diretor do Centro de Acompanhamento e Testagem (CAT) que implementa a política municipal em relação ao HIV-AIDS .

Segundo Maia, o município tem investido em oficinas sobre sexualidade e orientação sexual, tanto nos Postos de Saúde da Família (PSFs), quanto nas escolas, e nas próprias secretarias. “Estamos trabalhando com os funcionários de saúde e assistentes sociais dos Creas (Centro de Referência e Atenção Social) junto aos professores”, contou.

Além de investir contra a homofobia nas escolas e PSFs, a Prefeitura também atua junto a Delegacia de Crimes Contra a Homofobia do estado. “Discutimos casos que têm ocorrido com relação a homofobia e trabalhamos o que pode ser feito em temos de intervenção”, pontua.

Para trabalhar a homofobia, o município distribui uma cartilha LGBT, e faz seminários constantes. O último teve como tema a visibilidade lésbica. Os seminários começaram em 2006.

Além dos seminários, a Prefeitura de João Pessoa faz ainda a semana de consciência homossexual todo ano. Foi desses encontros que saiu a proposta, tornada lei municipal a partir de 2009, onde todos os gayS e travestis devem ser tratado pelo nome que escolherem tanto nas escolas e quanto nos PSfs.



Paulo Dantas

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