30.3.11

Amazonaids realiza oficinas de prevenção no Alto do Solimões

Trabalhar aspectos culturais num diálogo intercultural e promover a prevenção das DST, aids e hepatites com pajés, professores, lideranças, agentes indígenas de saúde e parteiras é o intuito do projeto Amazonaids em ação na região do Vale do Javari – Alto Solimões no Amazonas. Uma missão do grupo foi enviada à região no alto do Solimões e passou um mês (de 25 de janeiro a 25 de fevereiro de 2011) com as etnias Marubo, Matis e Mayoruna composta por 3.763 índios.


O plano integrado Amazonaids é uma iniciativa das agências da ONU, dentre elas a Unaids. A ação foi coordenada pela Unesco, agência da ONU responsável pelas ações de educação e cultura e contou com parcerias como o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais e Secretaria de Saúde Indígena do Ministério da Saúde e a Funai. O trabalho visou construir material educativo de prevenção das DST, hepatites virais e aids para professores e agentes de saúde nas línguas indígenas das três etnias.

“Os índios gostaram muito do trabalho, pois a oficina considerou o conhecimento deles no processo, não foi levado uma receita de prevenção”, contou a antropóloga Luciane Ouriques, consultora da Unesco para desenvolver este trabalho. O relato da experiência foi apresentado no dia 29 de abril, na reunião do Grupo Temático do Unaids, em Brasília.


A metodologia utilizada foi o diálogo intercultural e, durante o processo, muitos índios relataram que essa foi a primeira vez que se falou com eles sobre prevenção às hepatites virais. Em duas oficinas, os indígenas que participaram do trabalho também identificaram as práticas que eles acreditavam colocarem o grupo em risco, como sugar a picada de cobra ou ficar perto de parentes que morrem na maloca. O grupo de trabalho também dialogou sobre as percepções indígenas, como a dos Matis que acreditavam na existência do “espírito da camisinha”.

Segundo a antropóloga Luciane, no entanto, esta oficina é apenas o início do processo que vai instaurar a prevenção. “Este não é um trabalho de convencimento. Os índios só vão realmente se prevenir quando eles tiverem conhecimento sobre as doenças que podem ser transmitidas pelo contato”.

Rebeca Otero, oficial do programa de educação preventiva para DST/Aids da Unesco conta que outros materiais de prevenção deverão ser elaborados com temas relacionados a prevenção, como por exemplo, a redução de estigma e da discriminação de portadores das DST, hepatites.

Para o diretor do departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Dirceu Greco, o trabalho do Amazonaids é de fundamental importância e deve ter continuidade.

Ainda este ano, o material elaborado será validado e um lançamento será realizado junto às liderança indígenas.

Fonte: Departamento Nacional de DST, AIDS e Hepatites Virais

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