26.11.11

18 homossexuais foram assassinados este ano em Alagoas

Representantes LGBT, políticos e representantes do Governo em encontro com Barenco (FOTO: O Jornal)



Durante os meses de outubro e novembros os crimes contra homossexuais em Alagoas aumentaram. Os números da violência colocam o Estado no quarto lugar no ranking nacional, onde mais se mata gays no país. Somente este ano 18 homossexuais foram mortos e apenas um dos crimes foi esclarecido.
Na madrugada do dia 5 de outubro foi morto a golpes de faca o guarda municipal José Francisco de Paula, que residia na Rua Franco Jatobá, no bairro do Prado, região Sul de Maceió. O crime foi registrado na areia da praia do Sobral, a poucos metros da Central de Polícia. 38 dias após era encontrado morto, também a golpes de faca, o professor Ezequias Rocha Rêgo, 55, e fundador do Grupo Gay de Alagoas - GGAL. O corpo foi localizado por um vizinho da vítima que morava no apartamento 102, bloco 17, no Conjunto Alfredo Gaspar de Mendonça, bairro de Jacarecica, orla de Maceió.
No último dia 17 o secretário-adjunto da Secretaria Municipal de Educação (Semed), Marcelo Nascimento, esteve na sede da Polícia Civil, em Jacarecica, em busca de informações sobre as investigações do assassinato do professor Ezequias Rocha. O encontro foi com o delegado-geral Marcílio Barenco que disse que uma equipe de inteligência da PC está mobilizada na investigação, o que permitirá, em breve, identificar os assassinos.
No mesmo dia da reunião era encontrado o corpo do servidor da Prefeitura de Maceió Aldson Fernando Gomes de Lima, 46. Ele foi morto a golpes de faca dentro do apartamento que morava no Conjunto Solaris I, na orla do bairro de Cruz das Almas, em Maceió.
Os dois últimos crimes vêm sendo investigados pelo delegado José Sales, do 6º DP, que admite que vários fatos chamam a atenção para as semelhanças entre os assassinatos. O primeiro é que todas as vítimas eram homossexuais e com exceção do guarda municipal, as duas últimas foram mortas dentro de suas casas, após supostamente passarem a madrugada com desconhecidos – possivelmente jovens - e tiveram alguns objetos roubados.
O delegado confirmou que no caso da morte de Aldson Fernando já tem uma pista. Trata-se de um jovem identificado pelo apelido de Paulinho, que reside na cidade alagoana de Novo Lino. A Polícia tenta localizar o suspeito.
Por telefone o presidente do GGAL, Nildo Correia, disse ao EMERGÊNCIA190 que esta semana vai se reunir com o secretário de Defesa Social, Dário Cesar. Durante o encontro, que terá a participação de representantes da população LGBT no estado (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e trangêneros) e do próprio Governo do Estado será apresentado um relatório com a relação de todos os casos, como andam as investigações e um pedido formal de esclarecimento dos crimes.
“A data e à hora vamos agendar nesta segunda-feira (21), mas o encontro será esta semana. Os alagoanos, principalmente as famílias dessas vítimas, não podem ficar assistindo a população LGBT sendo morta como animais e ninguém é preso por isso. Esse relatório é uma radiografia do que está acontecendo em Alagoas e esperamos que o Governo faça o obvio que é a investigação isenta e a punição dos acusados”, disse o representante do GGAL.
Sem querer entrar em detalhes Nildo Correia não desmentiu que os movimentos de apoio a população LGBT em Alagoas deve solicitar a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, vinculada a Presidência da República, a criação de um Comitê Especial de Investigação com a participação da Polícia Federal – PF a fim de esclarecer todos os 18 assassinatos.
“É uma possibilidade, mas antes vamos conversar com o secretário Dário Cesar quando iremos saber o que está travando essas investigações. Se o casos continuarem insolúveis e os crimes continuarem acontecendo não teremos outra alternativa, se não, a de ir até o Governo Federal. Será mais um escândalo em Alagoas”, desabafou ele.
Nildo Correia salientou que a secretária da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos, Kátia Born tem assumido pessoalmente o papel da cobrança por parte da Polícia do esclarecimento de todos esses crimes. A secretária, segundo o presidente do GGAL, não tem medido esforços para cobrar da Defesa Social que nenhuma desses fique impune.
Perguntado se ele acredita que exista uma certa manobra para que os casos caiam no esquecimento, Nildo foi enfático ao afirmar que tem confiança no Governo de Alagoas, mas credita a falta de compromisso nas investigações de alguns poucos policiais que demonstram um suposto desprezo pela população LGBT.
“Acredito que muitos estão deixando de fazer o seu papel a exemplo de profissionais da área da Segurança Publicam que não investigam, gestores de secretarias que não implantam as medidas de políticas pública, além da escola que não tem feito o seu papel de trabalhar a questão de ver o próximo como cidadão fatores que motivam as famílias, a cada dia, perderem o rumo de seus filhos”, conclui Nildo Correia. 
 
Fonte: Emergência 190 - 22/11/2011

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