16.11.11

Historiador e militante gay é assassinado em Maceió


A 11ª Parada Gay de Maceió, que aconteceu no domingo, 13, nas orlas de Pajuçara e Ponta Verde, foi um pouco menos alegre. Na madrugada de sexta, 11, foi assassinado o historiador Zequias Rocha Rego, 57. Ele foi um dos fundadores do Grupo Gay de Alagoas (GGAL), a ONG responsável pela organização da parada na capital alagoana.

Zeca, como era conhecido, trabalhava como assessor da Coordenadoria Executiva do Programa Nacional de Inclusão de Jovens (ProJovem). O militante foi morto em seu apartamento com duas perfurações de faca cravadas no pescoço. Ele morava no Conjunto Alfredo Gaspar de Mendonça, no bairro de Jacarecica, em Maceió. A polícia que investiga o crime diz que, por ter objetos quebrados pela casa, acredita ter ocorrido luta corporal. Testemunhas alegam que três homens usaram um carro e uma moto para fugirem.

A tese policial é de latrocínio (roubo seguido de morte), mas segundo o delegado responsável, Egivaldo Lopes, declarou à imprensa, também não está descartada a hipótese de crime de ódio.

Para termos uma ideia do estado das coisas ainda hoje, a hipótese de homofobia que será investigada pelo delegado é um avanço, dentro das centenas de crimes que esse dado simplesmente é escondido, desprezado ou escamoteado. Muitos policiais descartam de cara que a motivação de um assassinato possa ter origem na homofobia mesmo a vítima sendo um homossexual ou tendo indícios de crime de ódio.

É claro, apesar dos obtusos reacionários fingirem nunca perceber, que o fato de uma pessoa ser gay não necessariamente faz com que seja vítima de um crime homofóbico. Às vezes, a razão mesmo está apenas em um assalto mal executado ou cheio de perversões. Mas também, muitas vezes o componente de ódio está presente e deve ser investigado. E não descartado em um primeiro momento, como temos assistido na maioria dos casos ocorridos contra homossexuais ultimamente.

É urgente que a polícia tome consciência que a homofobia existe e é forte a ponto de fazer um jovem fritar o fígado de um homossexual. Descartar de primeira mão investigar a possibilidade do crime homofóbico é novamente jogar os homossexuais como seres vulneráveis à falta de justiça.

O mesmo acontecia com a mulheres (e talvez em alguns lugares ainda aconteça), que ao serem estupradas eram tratadas nas delegacias mais como culpadas do que vítimas pois o estupro numa mentalidade patriarcal – e que rege boa parte da polícia ainda hoje - só acontece porque a mulher “facilita”.

Como disse (repetindo para os obtusos reacionários), não é todo homossexual assassinado que sofreu um crime homofóbico, mas essa possibilidade nunca deve ser deixada de lado pelos investigadores. Por isso, é um avanço o delegado de Maceió se perguntar se Zeca foi vítima ou não de homofobia.

Enquanto isso nas ruas de Maceió, em pleno domingo, os gays, lésbicas, bissexuais e trangêneros pedem: ““Não Matarás pelo Fim da Homofobia e Pela Paz”.

Com informações da Agência Folha / Dourados News

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