25.1.12

Cineasta grego Theo Angelopoulos morreu atropelado

O cineasta grego Theo Angelopoulos, vencedor em 1998 da Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes e do Leão de Ouro, em Vezena (1980), morreu na noite desta terça-feira, na sequência dos ferimentos que sofreu num atropelamento, horas antes, perto de Atenas.

Angelopoulos em Outubro de 2009, na Alemanha
Angelopoulos em Outubro de 2009, na Alemanha (Foto: Volker Hartmann/DDP/AFP/arquivo)Angelopoulos foi atropelado por uma moto ao final da tarde de terça-feira, em Pireu, junto à capital grega. O realizador, de 76 anos, foi hospitalizado com ferimentos considerados graves, acabando por morrer quatro horas depois devido a uma hemorragia interna, noticia nesta quarta-feira a agência de notícias AFP, citando fonte do hospital.

Com uma carreira de mais de 40 anos, Theo Angelopoulos foi o realizador que conseguiu que a cinematografia grega atingisse audiências internacionais, destacando-se geralmente nos festivais europeus.

Em 1995, venceu o Grande Prémio do Júri do Festival de Cannes, com o filme “O Olhar de Ulisses”, protagonizado pelo actor norte-americano Harvey Keitel, e três anos depois, em 1998, conseguiu o prémio principal do festival, a Palma de Ouro, com “A Eternidade e um Dia”, sobre um escritor que tem o seu último dia de liberdade antes de ser internado no hospital. Antes, em 1980, recebera o Leão de Ouro com “Alexandre, o Grande”.

Nascido a 27 de Abril de 1935 em Atenas, Angelopoulos viveu na Grécia durante os seus períodos mais conturbados. Enfrentou a ocupação nazi durante a Segunda Guerra Mundial e passou depois pela Guerra Civil Grega, entre 1946 e 1949, acontecimentos que acabaram por marcar a sua cinematografia, que abordava geralmente temas políticos. A imigração e o exílio também foram temas recorrentes nos filmes do realizador.

Theo Angelopoulos não descobriu logo a sua paixão pelo cinema, mas apenas no final dos anos 1960. Licenciado em direito, foi depois de se mudar para Paris, onde estudou no Instituto de Estudos Cinematográficos de Paris, que percebeu que a advocacia não era carreira para si. Já com novo curso, decide então voltar a Atenas e envereda pelo jornalismo, dedicando-se à crítica de cinema. Estava assim descoberta a sua grande vocação, o cinema.

A Paris voltou depois muitas vezes, deixando a sua marca no cinema francês. Representante da “nova vaga” do cinema grego dos anos 1970 e 1980, os críticos consideram que influenciou consideravelmente o cinema que se fazia em França naquela época.

Os seus filmes ficaram caracterizados pelas paisagens sombrias, o ritmo lento e os longos períodos sem qualquer fala, características que nem sempre conseguiram agradar ao público e à crítica. “Sou um homem pessimista”, dizia muitas vezes o realizador.

Por terminar ficou a sua trilogia sobre a Grécia e o século XX. O primeiro filme, “The Weeping Meadow”, saiu em 2004, e remontava a 1919, com a chegada à Grécia dos refugiados de Odessa, terminando em 1949, no rescaldo da II Guerra Mundial.

O segundo filme, “The Third Wing” (2008), começa no dia da morte de Estaline, em 1953, e termina em 1974. Ficou a faltar “Return”, que começaria nos finais século XX e terminava nos nossos dias.
O Huffington Post lembra ainda uma entrevista televisiva recente do realizador, no ano passado, na qual Angelopoulos revelou alguns dos seus planos para um próximo filme, explicando que seria sobre a actual grande crise financeira que a Grécia enfrenta.

Actualmente estava a trabalhar o seu próximo filme, que deveria chegar aos cinemas este ano, “The Other Sea”.
Fonte: Publico.PT

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