21.1.12

Cresce o número de homicídios homofóbicos

O preconceito a diversidade sexual matou oito pessoas em Rondônia no ano passado. No total, foram seis travestis, um gay e uma lésbica. Com o número, o Estado sai da 13ª posição e atinge o 8ª lugar no ranking de assassinatos de homossexuais. Os dados são do Grupo Gay da Bahia (GGB), que também apontam 251 homicídios homofóbicos no Brasil, 58% de gays, 40% de travestis e 2% de lésbicas. Em 2010, o número foi de 260 homossexuais assassinados, uma queda de 3,5%, mas para o Grupo, os números ainda são altos.


Para Luiz Mott, presidente do GGB, o número é preocupante. “Ocupando o 23º lugar em habitantes no Brasil, Rondônia registra mais homicídios homofóbicos que Estados mais populosos como Rio Grande do Sul, Ceará e Mato Grosso. E está aumentando nos últimos cinco anos”, afirma o presidente.


De acordo com Karen Oliveira, líder do grupo Beija-Flor em Porto Velho, mesmo ocupando o 8º lugar, Rondônia é um Estado muito receptivo. “Em Rondônia a gente ainda vive num paraíso”, afirma. Conforme a travesti, muito se fala sobre homofobia, mas como a diversidade sexual, o preconceito também tem diversos nomes. Existe a transfobia, ódio às travestis e transexuais, e a lesbofobia, preconceito com lésbicas.

Segundo a líder, em Cacoal, no ano passado, uma travesti de 17 anos foi morta por ódio, mas que nem todos os casos são de assassinatos por preconceito. “O movimento LGBT peca em alguns casos ao dizer que “foi assassinato por ódio”, muitas vezes, são crimes passionais ou por outros motivos, como drogas ou dívidas”, explica.

Karen é travesti desde os 12 anos e conta que a vida de alguém que não está enquadrada no perfil da normalidade imposta pela sociedade é difícil, por isso acaba tendo que procurar na rua uma forma de continuar a vida. “Eu mesma fui expulsa de casa aos 12 anos. 95% das travestis são expulsas, o 5% que ficam devem levantar a mão para o céu e agradecer”, diz à travesti, que aprendeu na rua como se virar. “Quando a travesti chega na rua ela não tem estudo, não tem conhecimento e vai trabalhar na prostituição e se a prostituição não der certo ela vai para as drogas ou para o roubo”, conta.

A LUTA É POR UMA SOCIEDADE QUE RESPEITE A DIVERSIDADE SEXUAL

No ano passado, uma travesti, amiga de Karen, conseguiu um emprego em uma loja. “Ela teve que cortar o cabelo e se vestir como homem”, diz. A luta das travestis por mais reconhecimento, não apenas na conquista por um emprego que saia do submundo das drogas ou da prostituição, consiste também no uso do nome social. Nos postos de saúde isso já acontece. “Uma portaria do Ministério da Saúde diz que nós podemos usar o nosso nome social no cadastro nos postos de saúde. Médicos, enfermeiros e recepcionistas devem chamar a gente pelo nome social”, esclarece. O nome social deve ser acompanhado do nome registrado entre parênteses.

A travesti de 42 anos, que luta pelos direitos igualitários e por uma sociedade com mais conhecimento e que respeite as diversas sexualidades, faz trabalho voluntário para que essas informações cheguem para toda a população. No dia 27 de fevereiro, o grupo lança a campanha das travestis e transexuais de 2012 que explicará o que é uma travesti, um transexual, identidade de gênero e orientação sexual. “O movimento não pode impor os direitos, tem que trabalhar com o conhecimento. Se você não sabe o que eu sou, como você vai me respeitar? Tem que entender o que é travesti, transexual, gay e lésbica. Se a gente não trabalhar com o conhecimento as pessoas vão colocar tudo dentro de um saco e rotular de ‘gays’”, finaliza.


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