20.4.13

Prostituição acontece à luz do dia na Praça da Matriz e ruas adjacentes do Centro

Fonte: d24am.com

Cerca de 50 mulheres atuam no local diariamente e chegam a cobrar R$ 50 pelos programas. Estivadores, industriários, motoristas e até turistas estrangeiros estão entre os clientes.
Atualmente, são pelo menos 50 mulheres atuando com prostituição na Praça da Matriz e ruas do Centro de Manaus em plena luz do dia para atender clientes Foto: Sandro Pereira

Manaus - Pelo menos 50 mulheres, com idade entre 20 e 50 anos, transformaram a praça da Catedral Metropolitana de Manaus, conhecida como Praça da Matriz, e ruas adjacentes, no Centro, em pontos de prostituição.

Estivadores, industriários, motoristas e até turistas estrangeiros estão entre os clientes que acessam os serviços, que começam a partir das 8h.

Com o preço dos programas variando entre R$ 20 e R$ 50 a hora, dependendo da idade da prostituta, elas afirmam que chegam a tirar até R$ 4 mil por mês, trabalhando dez horas por dia.


Na última quarta-feira, o Portal D24AM esteve no local e constatou que a movimentação e rotatividade de prostitutas e clientes é grande na Praça da Matriz.

Elas contam que decidiram migrar para essa profissão depois que tiveram algumas decepções na vida como separação, perda de um emprego e mudança de cidade. Muitas admitem que viram na prostituição uma forma de ganhar dinheiro acima do que o mercado de trabalho estava disposto a pagar.

Michele*, 41, que está há dois anos e seis meses nas ruas, contou que ninguém da sua casa sabe que ela trabalha como prostituta. Ela contou que se arranjasse outro trabalho não conseguiria sustentar sua família.

“Tenho três filhos (21,18 e 11 anos) e eles não sabem dessa minha vida. Antes, trabalhava como auxiliar de qualidade em uma empresa e ganhava R$ 1,1 mil. Hoje tiro em média R$ 4 mil por mês. O meu programa custa a partir de R$ 40, mas depende. Atendo de oito a 11 clientes por dia ”, contou, ressaltando que toma todos os cuidados preventivos para evitar as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e aids, além de fazer exames de seis em seis meses.

Shirley*, 48, contou que está na prostituição desde 2007, quando chegou a Manaus vinda do Ceará e não conseguiu arrumar um emprego.

Ela informou que tira apenas R$ 700 por mês. “Tenho apenas um filho e para mim esse dinheiro dá. Mas não fico direto nessa vida não, tem tempo que enjoo e vou trabalhar como diarista em casas de família ”.

Mayara*, 23, é mãe de quatro filhos, sendo que o mais novo tem apenas 4 meses. Ela disse que decidiu virar garota de programa depois que se separou, há dois anos e meio.

“A minha família toda sabe. Mas não vou com qualquer um. Tem uns que não dá”, disse ao informar que chega a tirar R$ 4 mil e com o dinheiro dos programas já comprou um terreno e está construindo a casa dela.

O estivador Francisco das Chagas, 36, é cliente assíduo das prostitutas da Praça da Matriz. Ele contou que pelo menos uma vez na semana utiliza os serviços das ‘mulheres’.

“Já gastei R$ 400 em um dia com essas prostitutas. As que são idosas cobram R$ 20, mas a maioria é R$ 40, R$ 50”, disse.

Igreja

O movimento de prostitutas na praça já chamou a atenção da igreja. O padre José Albuquerque, pároco da Catedral, disse que percebe o movimento das prostitutas na área externa da igreja, mas afirmou que não se pode tomar nenhuma providência.

“A praça é um lugar público. Isso é apenas um retrato da cidade grande que reflete o desemprego, a falta de moral e ética da família”, disse.

Segundo ele, a Igreja faz o seu papel de evangelizar. “As olhamos com muita compaixão, falamos a palavra de Deus, mas é claro que a gente não aceita esse estilo de vida”.

O padre afirmou que apesar da prostituição, o local não é um ponto de tráfico de drogas. “Acredito que ponto de drogas não é. Tem guarda municipal no local”, disse.

* Os nomes são os que elas utilizam como prostitutas.

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