30.8.14

Marcha gay cobra regulamentação de lei contra preconceito, em Manaus

Movimento marchou cobrando autoridades por lei que tramita desde 2006. Participação de feministas no ato lembrou Dia da Visibilidade Lésbica.
Movimento gay marchou cobrando autoridades por regulamentação de lei anti-preconceito (Foto: Marcos Dantas/G1 AM)
Foi realizada, nesta sexta-feira (29), a segunda edição da Marcha Gay Contra o Preconceito, promovida pela Associação Garotos da Noite, em Manaus O movimento saiu da Praça Heliodoro Balbi, seguindo em caminhada pelas avenidas Sete de Setembro e Eduardo Ribeiro até chegar à Praça do Congresso, no Centro da capital. Cerca de 100 pessoas participaram do ato, que reivindicava a regulamentação de uma lei estadual que pune a discriminação por orientação sexual. O ato também comemorou o Dia da Visibilidade Lésbica.


De acordo com o organizador do evento, Dartanhã Silva, o objetivo da marcha é tornar públicas as reivindicações do movimento gay em Manaus. "A Marcha Gay é um evento criado para mostrar para a população de maneira séria, sem festa e glamour as necessidades do movimento de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT), como direitos humanos e à educação", disse ao G1.

A primeira edição foi realizada em 2012 e reuniu cerca de 10 mil pessoas, com bandas para animar o público. Este ano a marcha assumiu um formato mais político, reunindo menos pessoas, mas com um propósito mais claro, como definiu o organizador. "Pela falta de show com certeza não teremos o mesmo público da primeira edição, mas o foco aqui é maior que qualquer festa. Não adianta festa se não há conquista, e até por isso saímos do Sambódromo. Sentimos a necessidade de trazer o movimento de volta para as ruas", completou Dartanhã.

Bandeirão com as cores do arco-íris foi o símbolo da manifestação (Foto: Marcos Dantas/G1 AM)



A principal pauta de 2014 é a regulamentação de uma lei estadual que pune a discriminação por orientação sexual, criada em 2006 e que, segundo os manifestantes, até hoje não foi regulamentada. "Esperamos que até 2015 essa situação se resolva. Há um ano enviamos uma proposta para o gabinete civil para que a lei fosse publicada no Diário Oficial do Município (DOM), mas até hoje não tivemos resposta", concluiu Dartanhã.
O movimento gay feminino também participou da marcha. No dia 29 de agosto é lembrado o Dia da Visibilidade Lésbica, o que tornou a caminhada ainda mais especial, como explica uma das líderes do movimento, Samara Soares. "Há exatamente 18 anos um grupo de ativistas mulheres se reunia para discutir o feminismo e a visibilidade de lésbicas e mulheres trans. É muito importante a participação feminina para mostrar que o movimento está conseguindo se reerguer apesar de todos os ataques homofóbicos de fundamentalistas religiosos dentro do Senado e da Câmara Federal", disse.

Márcio Nogueira (de boné) enfatiza que o movimento
busca por respeito  (Foto: Marcos Dantas/G1 AM)

Para o técnico em segurança do trabalho Márcio Nogueira, de 27 anos, que participou da manifestação, o movimento busca acima de tudo respeito. "Infelizmente Manaus ainda tem uma população muito preconceituosa, então queremos que todos nos vejam de uma forma diferente, queremos respeito. Um movimento como esse é bom para mostrarmos para as pessoas que nós somos seres humanos", afirmou.
A marcha chamou a atenção da população na rua. Em meio aos olhares curiosos, a bacharel em Direito Anny Coelho, de 24 decidiu inclusive registrar o momento. Mesmo não sendo gay, ela se mostrou solidária contra a causa e alheia ao preconceito. "Eu acho muito importante um movimento como esse. É uma forma de combater o preconceito e mostrar para a sociedade que os gays têm não só consciência, como força", disse ao G1.
Anny Coelho achou o movimento interessante e resolveu registrar o momento (Foto: Marcos Dantas/G1 AM)

Do G1 Amazonas

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