30.8.14

Marcha LGBT reivindica ações de combate à discriminação em Manaus

Durante a caminhada, várias associações hasteavam faixas e bandeiras contra o preconceito, além de frases alertando sobre DSTs
O grupo cobrou a Regulamentação da Lei 3.079, que dispõe sobre o combate à prática de discriminação em razão de orientação sexual. Foto: Reinaldo Okita

Manaus - Mais 100 pessoas participaram, na tarde desta sexta-feira (29), da segunda Marcha LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis), no Centro de Manaus. O ato foi em protesto ao preconceito contra a homossexualidade e para reivindicar direitos adquiridos e ainda não implementados. A caminhada também celebrou a comemoração do Dia Nacional da Visibilidade Lésbica.
De acordo com um dos coordenadores da Marcha, Dartanhã Silva, o ato tem como objetivo chamar a atenção da sociedade e das autoridades para as questões que envolvem LGBTs.

"Saímos às ruas para mostrar que estamos de olho em nossas conquistas. Muitas das ações que ganhamos estão paradas ou não estão mais em funcionamento. Atualmente, conseguimos várias conquistas com o governo e a prefeitura. Uma delas é a cédula social dos travestis, que já tem direito de utilizar os nomes que escolheram em escolas, hospitais e outros locais públicos”, explicou.
Ele ainda cita algumas ações que estão paradas, como a Regulamentação da Lei 3.079, que dispõe sobre o combate à prática de discriminação em razão de orientação sexual do indivíduo e a aplicação das penalidades decorrentes. Ela foi aprovada no ano de 2006, mas até o momento não foi regulamentada e, portanto, não tem aplicação no Estado.
"Há ainda uma morosidade em relação a uma regulamentação do artigo de penalidade da lei estadual do ano de 2006 que pune a discriminação em relação ao homossexual que estiver em local público", disse.
O ato iniciou, às 17h, com a concentração dos manifestantes na Praça da Polícia, na Avenida 7 de setembro. Às 18h, o grupo seguiu em direção a Praça do Congresso, em frente ao Instituto de Educação do Amazonas (Ifam).
Durante a marcha, várias associações hasteavam faixas e bandeiras contra o preconceito, além de frases alertando sobre doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).
Segundo a diretora do setor de transexuais da Associação Garotos da Noite (AGN), a enfermeira Jackeline Maldonado, 30, a cédula não tem surtido muito efeito no Estado, visto que em alguns lugares públicos, muitos servidores não sabem da existência do documento e se recusam a aceitá-lo.
"O meu setor é um dos mais complicados em trabalhar, pois o grupo é um dos mais hostilizados pela sociedade atualmente. Elas não se sentem totalmente livres de usar o nome social em lugares públicos, pois muitas pessoas não respeitam", disse.
Jackeline explicou que trabalha há 9 anos na AGN e detalhou como é realizado o trabalho na associação. Ela ainda faz um alerta para a categoria.
"Para os travestis e transexuais, realizamos o trabalho de prevenção, teste sanguíneo, além de abordagens noturnas em pontos de prostituição para conscientização do uso de preservativos. Há uma certa agressividade das travestis, que não conhecem a associação, quando realizamos a abordagem. Porém, ao saber das intenções, muitas delas acabam nos direcionando a outros pontos de prostituição para realizar a abordagem. É preciso que as garotas de programa se conscientizem em usar corretamente os preservativos", completou.
O casal que apenas quis se identificar como 'Geida', 50, e 'Andressa', 31, está junto há um ano e foi à marcha em comemoração ao Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. Elas explicaram que o preconceito é constante em locais públicos e, até mesmo, no bairro onde moram.
"Somos apaixonadas. Vivemos há um ano juntas e não devemos nada a ninguém. Ficamos tristes quando percebemos olhares de julgamento todas as vezes que estamos em algum lugar público. Por isso, estamos aqui para defender o amor e a união entre pessoas que se amam".
O presidente da aliança de todas as entidades envolvidas a marcha, Eudóxio Santos, explicou que existem mais de 10 mil pessoas vivendo com o vírus HIV/AIDS, no Amazonas. Só, na capital, são mais de 8 mil, ou seja, 80% dos casos no Estado.
"Os números são altos, porém, o trabalho que essas associações fazem com os homossexuais já fez esse número reduzir bastante. Continuamos com a certeza de que a luta contra o preconceito não pode parar", disse.
Prêmio Adamor Guedes de Direitos Humanos
O grupo LGBT, em diversos segmentos da sociedade, contribuiu em várias áreas, para que os direitos humanos desta parcela da sociedade fossem efetivados.
O Troféu Arco-Íris de Direitos Humanos ‘Adamor Guedes’ está em sua segunda edição e contemplou 22 personalidades amazonenses. Entre elas, a doutora Graça Prola, que representa a Assistência Social, o produtor Fabrício Nunes que teve o nome citado na área de Cultura, Socorro Guimarães uma das assistentes sociais, que atua no programa Galera Nota Dez, além do doutor Louismar Bonates, atual secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejus).
A entrega foi realizada na última quinta-feira (28), no auditório da Sejus, no centro da cidade.

Do Portal D24

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