2.1.15

Mais de 40 tiraram Cédula de Nome Social em 2014 no AM, aponta SSP

'O que a gente busca é o respeito', disse técnica em enfermagem no dia em que recebeu sua CNS (Foto: Camila Henriques/G1 AM)
Em sete meses, 43 travestis e transexuais do Amazonas tiraram a Cédula de Nome Social (CNS), documento que permite o reconhecimento pelo nome que escolheram para se identificar. A medida foi assinada em 2 de abril deste ano. Após 42 dias da legalização do documento, as primeiras travestis começaram a procurar a Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) para obter a CNS.

A primeira a conseguir o direito de usar o nome social foi a técnica em enfermagem Jackeline Maldonado. Ao G1, ela contou que a maior mudança nos últimos meses foi que o constrangimento ao ser chamada pelo antigo nome em lugares públicos já pode ser considerado coisa do passado. "Não digo que isso é uma vitória, e sim uma conquista. O nosso maior problema era ter a aparência feminina e o nome de registro que contradizia isso. Hoje chegamos para uma consulta, por exemplo, e não temos mais vergonha ao sermos chamadas", disse Maldonado, que chegou a se inscrever no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) com o nome novo.

Integrante da Associação Garotos da Noite, que acolhe travestis e transexuais e tem auxiliado no processo de divulgação da CNS junto à SSP-AM, Jackeline acredita que a tendência é ver o número de emissões crescer em 2015. "A demanda está muito alta, justamente pelo preconceito da identidade de gênero, que ainda é grande. Elas estão vindo atrás, se interessando. À medida que elas veem que a dificuldade de se identificar em um lugar foi quebrada, elas procuram mais. A cédula virou um conforto", avaliou Jackeline, que é travesti desde os 14 anos.

'Mais avançados que o Pará'
A auxiliar do ouvidor geral de segurança da SSP-AM, Maria José Alves, tem se encarregado da emissão da CNS. Segundo ela, 43 pessoas tiveram o nome social reconhecido desde o dia 14 de maio deste ano. Para Maria José, o saldo de 2014 é positivo, ainda mais se comparado ao de outros estados brasileiros. "No Pará, por exemplo, foram emitidas 15 unidades. Isso mostra que estamos mais avançados", destacou.

Para aumentar esse número, Maria José e representantes da Garotos da Noite partiram para abordagens noturnas. Segundo ela, essa ação é necessária, já que muitos travestis e transexuais "ainda têm medo de sair às ruas durante o dia". "Estamos indo nos locais onde eles trabalham para divulgar a carteira. A ideia é que o documento seja entregue no ‘ponto’ deles mesmo. Isso os deixa mais à vontade", garantiu.

A primeira abordagem noturna foi realizada em setembro. Na ocasião, Maria José diz que cerca de 500 pessoas foram alcançadas. "Fomos do Centro de Manaus até a Cidade Nova [bairro da Zona Norte da capital amazonense]. Essa primeira ação foi para entregar um cartão explicando como o cidadão deve se comportar diante de uma abordagem social. Apenas mencionamos a carteira. Na próxima, que acontecerá até o fim do ano, faremos uma divulgação maior do documento", afirmou.
Os interessados em obter a CNS devem procurar a Ouvidoria da Avenida Boulevard Álvaro Maia, localizada na Zona Centro-Sul de Manaus, portando o RG e xerox, comprovante de residência, duas fotos 3x4 e encaminhamento da associação a qual pertence. Caso não faça parte de nenhum grupo, pode levar documento assinado por duas testemunhas. Segundo Maria José Alves, a CNS já foi adotada por órgãos e instituições como a secretarias de Estados de Educação (Seduc) e de Justiça e Direitos Humanos (Seju), e o Sistema Único de Saúde (SUS).

Do G1 Amazonas

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